13 de agosto de 2017

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (11): A GATA E O RATO




A série de TV "A Gata e o Rato" foi um grande sucesso da década de 80. Naquela época, uma onda de nostalgia tentava resgatar a memória de alguns programas. Isso ocorria ou através de reprises ou através da produção de telefilmes com atores envelhecidos revivendo personagens que os tornaram famosos. Surge então esta série, conseguindo misturar comédia, mistério e romance.

 Foi das mais marcantes do período 1985 a 1989 mas, problemas de diversas ordens fizeram com que seu cancelamento ocorresse de forma precoce, com a produção de 67 episódios distribuídos ao longo de cinco temporadas.

A série foi criado por Glenn Gordon Caron, que também era o produtor executivo do programa. A primeira temporada não foi bem na audiência - ficou em 20º lugar - mas a recuperação ocorrida na temporada seguinte - quando alcançou o 9º lugar - a colocou entre as mais assistidas em território americano.


Tudo começa quando Madelyn "Maddie" Hayes (a atriz Cybill Shepherd) sofre um desfalque em sua fortuna, ação esta promovida por seu empresário, que a deixa somente com a casa onde mora e uma falida agência de detetives, administrada por um esperto despreocupado chamado David Addison (o ator Bruce Willis).


Entre o piloto e o primeiro episódio, Addison acaba convencendo Maddie a manter o negócio, fazendo uma sociedade com ele. Dessa forma, a agência passa a se chamar Blue Moon Investigations, aproveitando o fato de Maddie ter sido uma modelo muito famosa por conta de campanhas feitas para o Shampoo Blue Moon.


Os episódios eram recheados de mistério, com diálogos picantes e alta tensão sexual entre os personagens principais. Addison, na verdade, convenceu Maddie de que a agência poderia gerar um grande lucro e reverter sua situação financeira.

 Diante disso ela passa a trabalhar como detetive, mas o trabalho de ambos gera diversas brigas, algo que com o passar do tempo acaba se transformando em romance platônico. O público, por sua vez, reagia com boa audiência, esperando que a cada novo episódio ambos pudessem concretizar uma suposta intenção de relacionamento.


Na terceira temporada, após uma tremenda briga, com direito a muitos tapas, ambos finalmente vão para a cama. O episódio se transformou em grande acontecimento e foi comentado pelos maiores órgãos da imprensa americana. Durante sua exibição, alcançou a marca de 44% de audiência, o que significa ter sido assistido por pelo menos 60 milhões de pessoas.


A audiência, no entanto, começou a despencar depois da exibição da terceira temporada. Para os fãs, o episódio em que ambos dormem juntos marcou o início do declínio. Na verdade, vários problemas ocorriam nos bastidores de produção e isso ficava visível pelas reprises constantes enquanto novos episódios não ficavam prontos.



 Segundo o produtor Glenn Gordon, grande parte desses atrasos eram provocados por Cybill, que demorava em decorar o texto, atrasava constantemente na maquiagem, vivia reclamando do horário e constantemente brigava com Willis.

Para contornar tais problemas, os roteiristas passaram a focar as tramas nos personagens de Agnes Topisco (a atriz Allyce Beasley) e Herbert Viola (o ator Curtis Armstrong). Isso deixava Addison e Maddie com pequenas participações, possibilitando a ambos concluírem com mais rapidez episódios que ainda estavam inacabados.


Passado algum tempo, a produção teve de ser suspensa pelo fato de Cybill estar grávida de gêmeos. Willis, por sua vez, aproveitou o período para filmar o primeiro exemplar cinematográfico da franquia "Duro de Matar". Quando o filme se tornou um sucesso, seu desejo de continuar em "A Gata e o Rato" acabou. Nesse meio tempo, por conta de tais desencontros, o produto Glenn Gordon Caron abandonou a produção.

Os roteiristas ainda tentaram salvar o programa introduzindo um novo interesse amoroso para Maddie, criando dessa forma um triângulo amoroso. A repercussão foi negativa e a audiência declinava a cada novo episódio. Com Willis interessado em fazer cinema e Cybill dando prioridade aos filhos, nada restou aos produtores senão dar o espetáculo por encerrado no ano de 1989.


A série teve 39 indicações ao Emmy. Bruce Willis ganhou um Emmy e também um Globo de Ouro como melhor ator. Cybill Shepherd ganhou dois Globos de Ouro. A música tema - Moonlighting Theme - foi indicada ao Grammy em 1988.


Cybill Shepherd parecia ter carreira promissora na TV. Depois de "A Gata e o Rato" estrelou alguns filmes e empreendeu vários outros trabalhos na televisão. Nenhum deles, no entanto, conseguiu destaque maior do que o desta série.


Com Bruce Willis aconteceu o oposto. Muita gente não apostava nele, mas o fato é que o ator virou uma celebridade, estrelando vários filmes de grande importância para o mundo cinematográfico, com grande sucesso de bilheteria.


No Brasil, "A Gata e o Rato" estreou pela Rede Globo na quarta-feira de 08 de Janeiro de 1986, as 21h25. 
No final dos anos 90 migrou para o SBT. Também foi exibida pelo Canal Sony em 2003 e pelo Canal Multishow em 2005.


**A DUBLAGEM DE A GATA E O RATO**


*ATORES/PERSONAGENS/DUBLADORES*

Cybill Shepherd (Maddie Hayes): Sumára Louise

Bruce Willis (David Addison Jr.): Newton da Matta

Allyce Beasley (Agnes Topisco, secretária): 
Maria da Penha

Curtis Armstrong (Herbert Viola): 
Eduardo Borgerth




Na década de 1980, as nossas emissoras de TV ainda necessitavam preencher a sua grade de programação com séries de tv americanas.
Desse período, muito muitas fizeram sucesso no Brasil: Magnum, Dallas, Magyver , Alf, etc. Entretanto, A Gata e o Rato encantou rapidamente aos telespectadores brasileiros.

Além dos roteiros e da química entre Cybill Sheperd e Bruce Willis, não resta dúvida que a dublagem realizada por Sumára Louise e Newton da Matta fizeram mais um capítulo da história da dublagem brasileira.


Após mais de 30 anos passados, esta dublagem é uma referência na extrema qualidade artística de ambos. Esquecemos que os atores falam outra língua e mergulhamos nas brigas, nos amores, nos tons românticos, nos tons de surpresa que fizeram para que esta dublagem seja apaixonante pelos admiradores da boa dublagem brasileira, atualmente bem rara.




A arte na dublagem de A Gata e o Rato não está somente na extraordinária interpretação que ambos imprimiram, sem dúvida, a suas atuações foram muito além do que podíamos esperar para a dublagem de uma série de TV. 

Sob todos os aspectos, a dublagem realizada de A Gata e o Rato é algo que nos encanta, emociona, nos faz rir, ou seja, é aquela obra de arte que ficará para a eternidade, assim como alguns filmes que jamais conseguirão um remake à altura.

Em A Gata e o Rato, os "Deuses da Dublagem" decidiram reunir uma dupla capaz de realizar essa façanha tão maravilhosa. Assim, cada qual com as características marcantes de seu personagem, ainda nos fazem rever e ouvir as nossas vozes brasileiras da série com admiração.

Newton da Matta, infelizmente, já partiu para o "estúdio do céu", um profissional exigente na interpretação como diretor de dublagem e extraordinário para pegar facilmente o "time" de um personagem.




Sumára Louise construiu uma carreira sólida na arte da excelente dublagem e, realmente, tem os nossos mais sinceros aplausos pela dedicação com que nos presenteou com Maddie Hayes.



Enfim, A Gata e o Rato é uma relíquia da dublagem brasileira, a qual dificilmente veremos algo parecido após a década de 1980, devido às atuais condições da qualidade artística predominantes.

Para nós, fãs de uma dublagem com qualidade, resta-nos dizer:

 MUITO OBRIGADO POR TEREM SIDO TÃO BRILHANTES!!




**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE A GATA E O RATO**


**VÍDEO 1**



**VÍDEO 2**



**Marco Antônio dos Santos**

1 comentários:

Adilson 1963 disse...

Eu sou fã deste site, pela sua alta qualidade, SUGIRO que você crie um canal no YOU TUBE, pois existe uma grande quantidade de pessoas (dos 30 aos 70 anos), que como eu, cresceram embaladas pelas grandes séries e suas dublagens clássicas, dos anos 60,70,80 e 90, obrigado!

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