13 de agosto de 2017

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (11): A GATA E O RATO




A série de TV "A Gata e o Rato" foi um grande sucesso da década de 80. Naquela época, uma onda de nostalgia tentava resgatar a memória de alguns programas. Isso ocorria ou através de reprises ou através da produção de telefilmes com atores envelhecidos revivendo personagens que os tornaram famosos. Surge então esta série, conseguindo misturar comédia, mistério e romance.

 Foi das mais marcantes do período 1985 a 1989 mas, problemas de diversas ordens fizeram com que seu cancelamento ocorresse de forma precoce, com a produção de 67 episódios distribuídos ao longo de cinco temporadas.

A série foi criado por Glenn Gordon Caron, que também era o produtor executivo do programa. A primeira temporada não foi bem na audiência - ficou em 20º lugar - mas a recuperação ocorrida na temporada seguinte - quando alcançou o 9º lugar - a colocou entre as mais assistidas em território americano.


Tudo começa quando Madelyn "Maddie" Hayes (a atriz Cybill Shepherd) sofre um desfalque em sua fortuna, ação esta promovida por seu empresário, que a deixa somente com a casa onde mora e uma falida agência de detetives, administrada por um esperto despreocupado chamado David Addison (o ator Bruce Willis).


Entre o piloto e o primeiro episódio, Addison acaba convencendo Maddie a manter o negócio, fazendo uma sociedade com ele. Dessa forma, a agência passa a se chamar Blue Moon Investigations, aproveitando o fato de Maddie ter sido uma modelo muito famosa por conta de campanhas feitas para o Shampoo Blue Moon.


Os episódios eram recheados de mistério, com diálogos picantes e alta tensão sexual entre os personagens principais. Addison, na verdade, convenceu Maddie de que a agência poderia gerar um grande lucro e reverter sua situação financeira.

 Diante disso ela passa a trabalhar como detetive, mas o trabalho de ambos gera diversas brigas, algo que com o passar do tempo acaba se transformando em romance platônico. O público, por sua vez, reagia com boa audiência, esperando que a cada novo episódio ambos pudessem concretizar uma suposta intenção de relacionamento.


Na terceira temporada, após uma tremenda briga, com direito a muitos tapas, ambos finalmente vão para a cama. O episódio se transformou em grande acontecimento e foi comentado pelos maiores órgãos da imprensa americana. Durante sua exibição, alcançou a marca de 44% de audiência, o que significa ter sido assistido por pelo menos 60 milhões de pessoas.


A audiência, no entanto, começou a despencar depois da exibição da terceira temporada. Para os fãs, o episódio em que ambos dormem juntos marcou o início do declínio. Na verdade, vários problemas ocorriam nos bastidores de produção e isso ficava visível pelas reprises constantes enquanto novos episódios não ficavam prontos.



 Segundo o produtor Glenn Gordon, grande parte desses atrasos eram provocados por Cybill, que demorava em decorar o texto, atrasava constantemente na maquiagem, vivia reclamando do horário e constantemente brigava com Willis.

Para contornar tais problemas, os roteiristas passaram a focar as tramas nos personagens de Agnes Topisco (a atriz Allyce Beasley) e Herbert Viola (o ator Curtis Armstrong). Isso deixava Addison e Maddie com pequenas participações, possibilitando a ambos concluírem com mais rapidez episódios que ainda estavam inacabados.


Passado algum tempo, a produção teve de ser suspensa pelo fato de Cybill estar grávida de gêmeos. Willis, por sua vez, aproveitou o período para filmar o primeiro exemplar cinematográfico da franquia "Duro de Matar". Quando o filme se tornou um sucesso, seu desejo de continuar em "A Gata e o Rato" acabou. Nesse meio tempo, por conta de tais desencontros, o produto Glenn Gordon Caron abandonou a produção.

Os roteiristas ainda tentaram salvar o programa introduzindo um novo interesse amoroso para Maddie, criando dessa forma um triângulo amoroso. A repercussão foi negativa e a audiência declinava a cada novo episódio. Com Willis interessado em fazer cinema e Cybill dando prioridade aos filhos, nada restou aos produtores senão dar o espetáculo por encerrado no ano de 1989.


A série teve 39 indicações ao Emmy. Bruce Willis ganhou um Emmy e também um Globo de Ouro como melhor ator. Cybill Shepherd ganhou dois Globos de Ouro. A música tema - Moonlighting Theme - foi indicada ao Grammy em 1988.


Cybill Shepherd parecia ter carreira promissora na TV. Depois de "A Gata e o Rato" estrelou alguns filmes e empreendeu vários outros trabalhos na televisão. Nenhum deles, no entanto, conseguiu destaque maior do que o desta série.


Com Bruce Willis aconteceu o oposto. Muita gente não apostava nele, mas o fato é que o ator virou uma celebridade, estrelando vários filmes de grande importância para o mundo cinematográfico, com grande sucesso de bilheteria.


No Brasil, "A Gata e o Rato" estreou pela Rede Globo na quarta-feira de 08 de Janeiro de 1986, as 21h25. 
No final dos anos 90 migrou para o SBT. Também foi exibida pelo Canal Sony em 2003 e pelo Canal Multishow em 2005.


**A DUBLAGEM DE A GATA E O RATO**


*ATORES/PERSONAGENS/DUBLADORES*

Cybill Shepherd (Maddie Hayes): Sumára Louise

Bruce Willis (David Addison Jr.): Newton da Matta

Allyce Beasley (Agnes Topisco, secretária): 
Maria da Penha

Curtis Armstrong (Herbert Viola): 
Eduardo Borgerth




Na década de 1980, as nossas emissoras de TV ainda necessitavam preencher a sua grade de programação com séries de tv americanas.
Desse período, muito muitas fizeram sucesso no Brasil: Magnum, Dallas, Magyver , Alf, etc. Entretanto, A Gata e o Rato encantou rapidamente aos telespectadores brasileiros.

Além dos roteiros e da química entre Cybill Sheperd e Bruce Willis, não resta dúvida que a dublagem realizada por Sumára Louise e Newton da Matta fizeram mais um capítulo da história da dublagem brasileira.


Após mais de 30 anos passados, esta dublagem é uma referência na extrema qualidade artística de ambos. Esquecemos que os atores falam outra língua e mergulhamos nas brigas, nos amores, nos tons românticos, nos tons de surpresa que fizeram para que esta dublagem seja apaixonante pelos admiradores da boa dublagem brasileira, atualmente bem rara.




A arte na dublagem de A Gata e o Rato não está somente na extraordinária interpretação que ambos imprimiram, sem dúvida, a suas atuações foram muito além do que podíamos esperar para a dublagem de uma série de TV. 

Sob todos os aspectos, a dublagem realizada de A Gata e o Rato é algo que nos encanta, emociona, nos faz rir, ou seja, é aquela obra de arte que ficará para a eternidade, assim como alguns filmes que jamais conseguirão um remake à altura.

Em A Gata e o Rato, os "Deuses da Dublagem" decidiram reunir uma dupla capaz de realizar essa façanha tão maravilhosa. Assim, cada qual com as características marcantes de seu personagem, ainda nos fazem rever e ouvir as nossas vozes brasileiras da série com admiração.

Newton da Matta, infelizmente, já partiu para o "estúdio do céu", um profissional exigente na interpretação como diretor de dublagem e extraordinário para pegar facilmente o "time" de um personagem.




Sumára Louise construiu uma carreira sólida na arte da excelente dublagem e, realmente, tem os nossos mais sinceros aplausos pela dedicação com que nos presenteou com Maddie Hayes.



Enfim, A Gata e o Rato é uma relíquia da dublagem brasileira, a qual dificilmente veremos algo parecido após a década de 1980, devido às atuais condições da qualidade artística predominantes.

Para nós, fãs de uma dublagem com qualidade, resta-nos dizer:

 MUITO OBRIGADO POR TEREM SIDO TÃO BRILHANTES!!




**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE A GATA E O RATO**


**VÍDEO 1**



**VÍDEO 2**



**Marco Antônio dos Santos**

26 de julho de 2017

MEMÓRIA AIC (29): CAVALO DE FERRO


"Cavalo de Ferro" originou-se de um longa para TV chamado "Scalplock", exibido nos Estados Unidos em 10 de Abril de 1966. Nele, um personagem chamado Ben Calhoun ganha, num jogo de poker, uma ferrovia inacabada e abandonada. O elenco deste piloto trazia Dale Robertson na pele de Ben Calhoun e como coadjuvantes alguns nomes conhecidos da época (Diana Hyland, Lloyd Bochner, David Sheiner, Woodrow Parfrey e James Doohan).


A série propriamente dita iniciou exibição - nos Estados Unidos - em 12 de Setembro de 1966. Nessa primeira fase, 30 episódios foram produzidos. Uma segunda temporada foi vista a partir de 16 de Setembro de 1967, mas baixos índices de audiência determinaram seu cancelamento em 06 de Janeiro de 1968, com apenas 17 episódios.

O dia-a-dia de cada trama do programa mostrava Ben Calhoun no empenho de tornar a ferrovia um negócio lucrativo. Para tanto, ele precisava em primeiro lugar tentar finalizá-la. Mas tinha contra si sua falta de conhecimento para com o negócio, pouco dinheiro, ataques indígenas, assaltantes e banqueiros desonestos que buscavam obter o controle do empreendimento.


*Dale Robertson*


Produzida pela Screen Gems, as filmagens do programa ocorreram na histórica Sierra Railroad, nos arredores de Jamestown e Sonora (Califórnia).

A crítica americana ainda hoje é um tanto quanto severa ao mencionar a série. 
          "Cavalo de Ferro" tinha um bom elenco. Dale Robertson até conseguia se destacar, mas tinha contra si as limitações dos roteiros que lhe foram impostos.
 Gary Collins e Ellen Burstyn eram reconhecidamente bons, tanto que ganharam papeis melhores em anos posterior a série.

*Gary Collins*

**A SÉRIE NO BRASIL**


No Brasil, "Cavalo de Ferro" estreou na programação inaugural da TV Bandeirantes Canal 13 de SP, em Maio de 1967. Entrava às terças-feiras, 21h30, logo após a série "Ratos do Deserto".
 Consta que a TV Record  reapresentou a série no final dos anos 70 e início dos 80 (onde foi exibida pela primeira vez a cores em território brasileiro).

Cavalo de Ferro retornaria em 1990, pela TV Gazeta de São Paulo, às quartas-feiras, às 17h, exibindo somente a 1ª temporada.
 Foi a sua última exibição na tv brasileira.




**A DUBLAGEM DA AIC**

A dublagem desta série foi paralela a 1ª temporada de Perdidos no Espaço (início de 1967) e contou com os dois dubladores que estavam com grande destaque naquele momento: Astrogildo Filho e Ary de Toledo. 

Além da escalação do jovem Osmar Prado, há o elenco de excelentes dubladores da época e o jovem estreante na dublagem Hugo de Aquino Júnior que iniciou na AIC no ano de 1966, como pode ser ouvido dublando um convidado especial no episódio abaixo.

Apesar dos problemas da série nos Estados Unidos, a Screen Gems solicitou uma dublagem exemplar com o objetivo de que a série conseguisse obter audiência melhor no Brasil. Entretanto, mesmo a AIC utilizando o seu melhor elenco de vozes, com uma qualidade ímpar, Cavalo de Ferro passou despercebido entre nós.
Apesar disso, a série é uma magnífico exemplo do período áureo do estúdio.


**PERSONAGENS FIXOS / DUBLADORES**

*Dale Robertson (Ben): Astrogildo Filho.
*Garry Collins (Davi): Ary de Toledo.
*Bob Random (Bárnabas): Osmar Prado.
*Narração da abertura: Antonio Celso.

*VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE CAVALO DE FERRO*


**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Marco Antônio dos Santos*

16 de julho de 2017

DUBLADOR EM FOCO (114): YOLANDA CAVALCANTI

*Foto: Site Casa da Dublagem*

Yolanda Cavalcanti nasceu na década de 1930.
Assim como muito outros dubladores, o seu caminho foi a paixão pelas radionovelas e, por volta de 1952, já tentava ingressar em alguma Rádio para iniciar a sua carreira.
Sua primeira chance, ainda que pequena, veio através da Rádio América, onde ficou durante alguns anos.

Paralelamente, também iniciava a sua carreira no Teatro. Atuou na Companhia Mário Mascarenhas, em shows, como: Arco Iris de Sons (1959). Também integrou o Grupo dos 7, onde atuou nas peças: "O Mambembe", ao lado de grandes nomes do teatro brasileiro, como: Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Fernando Torres, Ítalo Rossi e muitos outros


Já no final da década de 1950, Yolanda Cavalcanti é contratada pela Rádio São Paulo, a emissora campeã em produções de radionovelas e o grande celeiro de futuros dubladores para a AIC.
Com sua capacidade interpretativa, também participa de radionovelas da Rádio Record.
As duas emissoras de Rádio pertenciam ao mesmo grupo "Emissoras Unidas", entretanto a Rádio Record produzia menos radionovelas, uma vez que possuía uma programação mais variada do que a Rádio São Paulo.

O fato é que diversos radioatores atuavam em ambas emissoras e até na TV Record, a qual pertencia ao mesmo grupo.
Assim como Gessy Fonseca, Yolanda Cavalcanti também atuou em alguns programas televisivos no início da década de 1960.

Em meados da década de 60, inicia o declínio das radionovelas e, o caminho natural para os radioatores foi a dublagem (embora muitos não conseguiram trilhar esse caminho).

Assim, no final de 1967, Yolanda Cavalcanti ingressa na AIC. No início pequenos personagens, mas a atriz conseguia dublar magnificamente comédias e dramas e personagens diferentes em filmes e séries de TV.

Aos poucos, foi ganhando um espaço maior na dublagem e a sua primeira experiência mais destacada, veio com o convite de Rodney Gomes para dublar a vilã Viúva Negra na 2ª temporada de Batman.

Esta dublagem data de início de 1968 e garantiu a Yolanda Cavalcanti o seu nome definitivo na galeria de grandes dubladores da AIC.


*A vilã Viúva Negra em Batman*


Daí em diante, foi uma constante em filmes e séries de TV da época como: Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Lancer, Terra de Gigantes, E as Noivas Chegaram, entre muitas outras.



**TRÊS PERSONAGENS FIXOS**


Já no final de 1968, Yolanda Cavalcanti ganha a personagem enfermeira Chapel na 3ª temporada da série Jornada nas Estrelas. Embora uma personagem pequena, linear, foi uma realização significativa.




Também surge o convite para dublar a vovó Daisy Moses na 1ª e única temporada dublada de A Família Buscapé.



Mas a sua grande chance veio ao substituir Sandra Campos na personagem Esmeralda na série A Feiticeira. Ao assumir a personagem no meio da 6ª temporada, Yolanda Cavalcanti deixou a personagem muito mais engraçada, atrapalhada com as feitiçarias erradas. Ficou com a personagem até o término da série e nos deixou um trabalho magnífico.



Já com o declínio financeiro da AIC, em 1972, participa da telenovela A Revolta dos Anjos na TV Tupi.

Assim, com o surgimento do estúdio Álamo, após o término de A Feiticeira, não retornou mais para a AIC. Somente retornaria já como BKS.

Na BKS, fez importantes e exemplares dublagens em diversos filmes, como Trama Macabra, último filme de Alfred Hitchcok.



*Katherine Helmond e Bruce Dern em Trama Macabra**


Yolanda Cavalcanti faleceu em 6 de maio de 2007, vítima de um acidente.


**VAMOS REVER ALGUMAS DUBLAGENS DESTA GRANDE DUBLADORA**

**A VIÚVA NEGRA EM BATMAN**
video

** ESMERALDA EM A FEITICEIRA**



**DUBLANDO A ATRIZ CONVIDADA JANE WYATT NA SÉRIE
 "E AS NOIVAS CHEGARAM"**

**FONTE  de Pesquisa: Site Casa da Dublagem
   Arquivo Pessoal
Depoimentos de dubladores.

*Marco Antônio dos Santos**

15 de junho de 2017

CLÁSSICOS H.B. / AIC (07): FRANKENSTEIN JR. E OS IMPOSSÍVEIS



 Em 1966, os estúdios Hanna-Barbera criaram uma animação baseada no romance do Moderno Prometeu, escrito por Mary Shelley em 1817, onde a escritora britânica narra a história de Victor Frankenstein, e do seu monstro de laboratório.
 Mesmo se tratando de um romance aterrorizante, a figura amável do Monstro já tinha uma aproximação grande com o público infantil e a ideia de transformá-lo em super-heroi e fazê-lo lutar pelo bem foi usada por Hanna-Barbera no desenho intitulado Frankenstein Jr.
 A animação transforma o monstro do livro num gigantesco robô com super poderes, pronto para combater todos os tipos de vilões.

 Frankenstein Jr. estreou na televisão dividindo o horário com o popular desenho animado Os Impossíveis. Cada programa de meia hora trazia apenas um episódio de Frankenstein Jr. exibido entre dois do trio de herois.

 No desenho, FrankensteinJr. foi criado pelo jovem cientista  Bob Conroy (um garoto dotado de uma grande inteligência) com uma pequena ajuda de seu pai, o experiente cientista Dr.Conroy conhecido mundialmente

pelos serviços prestados a toda comunidade científica.



 O gigantesco robô possuía grandes habilidades, como voar através de jatos embutidos em seus pés, além de poder emitir raios destruidores através dos dedos das mãos. Assim, quando o mundo estava correndo perigo, o pequeno Bob apontava seu anel de controle remoto e ativava Frank, sentava no ombro do robô e os dois saíam pela enorme porta do laboratório para combater o mal, sempre com Bob dando dicas ao Frank de como proceder na luta. A relação de amizade do menino com o Gigante Robô, era outro ponto alto da série.




Apesar das mudanças na história de Mary Shelley para trazer a obra mais para o mundo infantil, muitos elementos do original ainda estão lá. O laboratório da família Conroy, por exemplo, está localizado numa alta montanha em um lugar desconhecido e sombrio, que somente pode ser alcançado pelo alto, lembrando bastante o castelo do Dr. Frankenstein.


**PERSONAGENS / DUBLADORES**

*FRANKSTEIN JR.: JOSÉ SOARES*
*BOB CONROY: MAGALI SANCHES (1ª voz) e MARIA INÊS (2ª voz)*
*Dr. CONROY: WILSON RIBEIRO*

*VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE FRANKENSTEIN JR*

*Neste episódio temos Magali Sanches e José Soares dublando o vilão* 



**OS  IMPOSSÍVEIS** 


 Os Impossíveis  foi um desenho produzido pelos estúdios Hanna-Barbera em 1966, que narrava as aventuras de uma banda de rock formada por três rapazes que estavam sempre fazendo shows pelo mundo, e que combatiam o crime nas horas vagas com suas roupas estilosas e penteados modernos (baseado nos Beatles). O seu palco móvel se transformava em um carro voador, e eles partiam para a luta contra vilões após gritarem a famosa frase: "Vamos nós..."
  Impossíveis era tanto o nome da banda quanto o nome do grupo de herois. No dia 10 de setembro de 1966 os estúdios da Hanna-Barbera lançava mais um clássico dos desenhos animados baseado nos costumes da época, dessa vez explorando com ironia duas modas da década de 60, os grupos de rock e os super-herois. O desenho, exibido na rede norte-americana CBS, inicialmente seria chamado de The Incredibles (os primeiros storyboards ainda mostram este título), mas acabou sendo mudado para The Impossibles
 Foram produzidos um total de 36 episódios, e suas histórias viraram quadrinhos no final da década de 60, produzidas pela editora norte-americana "Gold Key" (aqui no Brasil foram publicadas em 1967 pela Editora O Cruzeiro e depois no almanaque "Heróis da TV" da Editora Abril).





**PERSONAGENS / DUBLADORES**
    * HOMEM-MOLA - Era capaz de transformar os braços e as pernas em molas. Baixinho e gordinho, era sempre o ídolo de todos os meninos baixinhos e gordinhos que assistiam a série. 
**DUBLADOR: GASTÃO RENNÉ**

 
* MULTI HOMEM -  Criava múltiplas cópias de si mesmo. Passava a imagem do desligado da turma, com o cabelo sempre cobrindo seus olhos (possuía um escudo com a letra "M"). Sempre falava para o vilão: "Você pegou todos, menos o original"


**DUBLADOR: CARLOS ALBERTO VACCARI**

    * HOMEM-FLUIDO -
 Podia transformar-se em líquido. Usava uma máscara de mergulho completamente inútil, pois eram seus companheiros que precisariam de máscaras. Tinha como bordão o grito: "Vamos nós - Oho!".


**DUBLADOR: OLDER CAZARRÉ**

    * BIG D - Chefe do trio. Sempre que um super-vilão entrava em cena, ele chamava o grupo para lutar contra o crime, entrando em contato com eles através de um visor na guitarra de Coil (Homem-Mola).



**PERSONAGENS / DUBLADORES**



    * Homem-Mola - Gastão Renné


    * Homem-Fluido - Older Cazarré

    * Multi-Homem - Carlos Alberto Vaccari.
*Big D - Jorgeh Ramos / Wilson Ribeiro/ José Soares (o mais frequente). 
**VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE OS IMPOSSÍVEIS**
    


**A DUBLAGEM DA AIC**



Mais dois grandes clássicos de Hanna-Barbera que marcaram a geração da década de 1960.
A dublagem com a direção mágica de Older Cazarré, como sempre, foi perfeita na escalação das vozes para os personagens principais e convidados, além dele próprio dublar.
Gastão Renné e Carlos Alberto Vaccari foram primorosos na qualidade da interpretação de personagens de desenhos animados.



Dublados no início de 1967, Frankstein Jr. sofreu uma alteração devido a saída de Magali Sanches, abandonando definitivamente a carreira artística, dublando pouquíssimos episódios, sendo substituída por Maria Inês.

Tanto "Frankstein Jr." e "Os Impossíveis" marcam um período áureo na dublagem de desenhos realizados pela AIC, onde arte e talento dos envolvidos, nos empolgam até hoje assistir a um belo trabalho artístico !


**Marco Antônio dos Santos**

20 de maio de 2017

A DUBLAGEM DO FILME "A DAMA DE SHANGHAI"



Michael O’Hara (Orson Welles) deixa-se atrair pela lindíssima Elsa (Rita Hayworth), quando passeava no parque. Logo em seguida, a salva de um assalto, e em recompensa, o marido desta, o célebre advogado Arthur Bannister (Everett Sloane) contrata-o para servir de piloto numa viagem de iate de um grupo de amigos até ao canal do Panamá.
O’Hara aceita, mas sente-se mal entre pessoas que despreza, e o crescente amor por uma mulher que não pode ter. Sem saber bem como vê-se envolvido romanticamente com Elsa, e numa proposta estranha George Grisby (Glenn Anders), o sócio de Bannister. Mas nem tudo é o que parece, e em breve O’Hara vai ver-se vítima de esquemas que não compreende, onde ninguém é aquilo que parece.

A dama de Shanghai que dá o nome ao filme é Elsa Bannister, a deslumbrante Rita Hayworth, então esposa de Welles, e aqui loura platinada. Mais contida que em “Gilda” de Charles Vidor, do ano anterior, Elsa não provoca explicitamente, trazendo-nos antes uma tristeza interna que nos questiona sob o peso que carrega num casamento que visivelmente a oprime. Não deixamos, ainda assim, de sentir desde o início que Elsa (uma mulher vivida, que tem no passado as casas de jogo de Shanghai) domina os acontecimentos.

 Não é inocente a cena inicial, em que da sua carruagem assiste ao cortejar desajeitado de Michael O’Hara (Orson Welles). O tom é dado implicitamente, mostrando-nos quem conduz, e quem caminha em vão em busca de algo que não lhe pertence.


E se Elsa é a típica mulher fatal em torno de quem se geram motivações para o heroi, Michael é um anti-heroi Noir típico, que narra a história na primeira pessoa em tom fatalista. A narração de Orson Welles, e quase não nos deixando distinguir entre narração e discurso direto, inscreve desde logo o registo da tragédia, em que o seu personagem está envolto e da qual não poderá fugir.
O personagem de Welles ilustra-nos a típica ideia de que qualquer homem, por mais banal que seja, pode tomar a má decisão que o leva numa espiral de más decisões anteriores, sem mais conseguir controlar o seu caminho. Para conseguir aquela que ama, ou por simples curiosidade sobre uma história que não compreende, Michael deixa-se envolver em situações que não controla, e sem o saber torna-se um mero peão em jogos que o transcendem.

Parcialmente filmado em exteriores na área de São Francisco, e no México, o filme contrapõe uma parte inicial luminosa, em que Michael contempla a vida de Elsa e deseja mudá-la, com uma parte final urbana e negra, onde Michael se vê cair num precipício sem fundo. Em contraste temos a sequência do tribunal, que nos dá um pouco de comédia, invulgar num Film Noir.
Por tudo isto o que “A Dama de Shanghai” perde na fluidez do argumento, ganha como exercício de estilo. Filmado com ângulos invulgares, fazendo uso de close-ups exagerados e incomodativos, e dando uma especial importância ao contraluz (destaque para a sequência do aquário, imitada por Woody Allen em “Manhattan” de 1979), o filme é um claro manifesto do gênero Noir, e das suas ligações ao expressionismo alemão, de que Welles era um confesso admirador.
 Se já “Cidadão Kane” é por vezes descrito como um proto-Noir, com “A Dama de Shanghai” deixava o seu cunho indelével no gênero.

Na memória fica-nos para sempre a sequência final na feira, com os seus cenários pintados e caminhos labirínticos, finalizando na cena de tiros na casa dos espelhos.
 Esta sequência final é uma das mais famosas do Noir, e seria por isso imitada inúmeras vezes.



**A DUBLAGEM DA AIC**


*ELENCO PRINCIPAL / PERSONAGENS / DUBLADORES*
**Rita Hayworth (Elsa Bannister) - Líria Marçal**
**Orson Welles (Michael O’Hara) - Amaury Costa**
**Everett Sloane (Arthur Bannister) - Marcelo Ponce**
**Glenn Anders (George Grisby) - José de Freitas**
**Ted de Corsia (Sidney Broome) - Batista Linardi**
**Erskine Sanford (Juiz) - Borges de Barros**
**Gus Schilling (Goldie) -Lourival Pacheco**
**Carl Frank (Promotor Público Galloway) - Hélio Porto**
**Participação de Samuel Lobo dublando um motorista** 
  



A dublagem deste maravilhoso filme "noir" foi realizada em 1965 e com a direção do saudoso Amaury Costa, o qual dubla Orson Welles com o tom narrativo de um grande enigma policial.
A dublagem da AIC é impecável deste período, mas, evidentemente, Líria Marçal é a grande estrela desta dublagem, dando um tom sedutor, enigmático, vilã e heroína ao mesmo tempo à atriz Rita Hayworth.
Ela voltaria a dublar a atriz em outros filmes com a mesma categoria inigualável.
Líria Marçal tinha a magia de dublar grandes atrizes em filmes e séries de tv, como "Jeannie é um Gênio".
Sua qualidade era tão excepcional, que promovia um toque especial, até para atrizes convidadas em séries de Tv das quais participou.


Felizmente, este clássico de Orson Welles teve a sua dublagem da AIC preservada, o que nos deixa um grande filme e uma excepcional dublagem.


**VAMOS REVER ALGUNS TRECHOS DA DUBLAGEM AIC**


**VÍDEO 1 /
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**VÍDEO 2 /
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**VÍDEO 3 /
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**VÍDEO 4 /
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*cena fantástica do final*

*Site: "Adoro Cinema"
"Arquivo Pessoal"

**Marco Antônio dos Santos**