30 de agosto de 2011

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (10): JEANNIE É UM GÊNIO



 
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde Jeannie sempre foi um sucesso, a série nunca esteve entre as preferidas dos americanos, que gostavam muito mais da bruxinha Samantha. Na realidade, Jeannie surgiu na esteira do sucesso da Feiticeira e, antes mesmo de estrear, foi acusada de plágio. Mas não foi simplesmente uma questão de "roubar ideias".

 A NBC pensou em criar um seriado que envolvesse magia e convidou Sidney Sheldon para ser o roterista (isso mesmo, o escritor que hoje faz sucesso com romances geralmente apimentados e que, por várias vezes, já teve seus livros entre os maiores best-sellers do mundo). Sheldon era amigo do produtor Willian Asher - um dos criadores da Feiticeira e marido de Elisabeth Montgomery, a Samantha - e o consultou, temendo que ele não gostasse da idéia. No início Asher não se importou muito e, inclusive, deu sugestões para o novo seriado que seria exibido numa emissora concorrente ("A Feiticeira" era da rede ABC).

Sheldon então pôs mãos à obra. Ele mesmo escolheu Bárbara Eden para interpretar Jeannie. Já Larry Hagman teve que penar um pouco para conseguir o papel do astronauta e piloto da Força Aérea Americana, o major Anthony Nelson. Na época, sem muitas chances profissionais, o ator e sua família estavam passando dificuldades financeiras. Conseguir o personagem tirou Hagman do maior sufoco e o lançou, meio que inesperadamente, ao estrelato mundial.


O primeiro episódio, que foi ao ar em setembro de 1965, mostrou como o major Anthony Nelson, durante uma missão frustrada da Nasa, foi parar em uma ilha do Pacífico. Lá, ele acaba encontrando uma garrafa enterrada na areia. Ao abri-la, uma fumaça toma a forma de uma bela garota digna das histórias das mil e uma noites: Jeannie, uma gênia aprisionada há centenas de anos por um gênio maligno.

 Sem acreditar no que estava acontecendo, o astronauta prefere deixar a garrafa por lá mesmo. Mas a gênia dá um jeitinho de "empurrar" a garrafa para dentro da bagagem do Major Nelson antes dele ser salvo pela equipe de resgate e acaba indo com ele para a Praia dos Cocos, onde vive o major. A cena onde Tony Nelson encontra a garrafa de Jeannie foi filmada na praia de Zuma, em Malibu, Los Angeles.


OS PERSONAGENS


                                              

Como acontece em A Feticeira, o Major Nelson se recusa a usufruir dos poderes de Jeannie. E também não era apaixonado por ela ... pelo menos, no início, não. Na realidade, se dependesse dele, Jeannie teria voltado para Bagdá, onde mora sua mãe (também interpretada por Barbara Eden) em alguns episódios. Mas, enquanto Samantha fazia tudo o que o marido James queria (e por isso mesmo o seriado da bruxinha se adequava mais ao padrão da "perfeita família americana"), Jeannie não queria nem saber: uma ordem do seu amo era solenemente ignorada caso contrariasse seus interesses.

 O Major Nelson tinha um compromisso com uma garota? Jeannie transformava a beldade num macaco. O Major Nelson mentia para Jeannie para poder ir a um encontro? Acabava amarrado numa máquina de tortura da Idade Média ou era zunido para o topo de uma árvore em plena selva africana...

As histórias eram invariavelmente em torno da personalidade teimosa e até ingênua da gênia que, mesmo quando tentava ajudar o amo, entendia as ordens todas ao contrário, o que dava margens a histórias muito hilárias. Um bom exemplo disso aconteceu em um episódio em que fiscal do Imposto de Renda (Paul Lynde, o tio Arthur de Samantha) vai averiguar os bens do major Nelson. Jeannie acaba ficando irritada pelo fato do fiscal achar que o astronauta é um pobre coitado e que vive modestamente, apesar de trabalhar na Nasa. Então, sem a menor cerimônia, ela faz surgir pinturas de Renoir e esculturas de Michelângelo na casa de Tony. Isso sem falar num cofre cheio de dinheiro.

A única pessoa que sabia da existência de Jeannie era o melhor amigo de Tony, o major Roger Healey (Bill Daily). Roger era também astronauta, um cara completamente trapalhão, mas não tão bobo a ponto de não achar que o Major Nelson marcava o maior passo em não usufruir dos poderes da gênia. Não foram poucas as vezes que o Major Healey tentou "roubar" Jeannie de Tony, nem que fosse para realizar seu maior desejo: ficar rodeado por lindas garotas.

 Na única vez que ele conseguiu que um pedido seu fosse realizado, Roger ganhou de Jeannie uma caixa vazia. Na verdade, a caixa era mágica e podia realizar qualquer desejo. Agradecido, ele sai da casa do Major Nelson dizendo a seguinte frase: "Obrigado pelo presente, Jeannie! E você é um cara de sorte, Tony ! Eu gostaria de estar no seu lugar". Não deu outra... Roger se torna o Major Nelson e vice-versa, dando início a um dos episódios mais engraçados de toda a série, em que os dois atores tiveram de representar como se estivessem trocado de corpo e deram um banho de interpretação.

Quem presenciava toda aquela loucura sem entender nada era o pobre coitado do Dr. Alfred Bellows (Hayden Rorke). Tudo porque o Dr. Bellows chegava nas horas mais impróprias, como encontrar um tigre na sala do major Nelson ou mesmo descobrir que está nevando em plena praia dos Cocos ...mas somente sobre a casa do astronauta! O Dr. Bellows sempre tentava descobrir o que havia por trás do Major Nelson, mas nunca conseguiu.

 Quando ele trazia o sisudo General Peterson (Barton MacLane) ou o general Shaeffer para testemunhar os "estranhos acontecimentos", tudo já tinha voltado ao normal e o doutor era tomado por louco, justamente como acontecia com a Sra. Kravitz em "A Feiticeira". O Dr. Bellows era casado com Amanda Bellows , vivida pela atriz Emmaline Henry, uma dondoca que adorava se intrometer na vida do Major Nelson e vez por outra tentava arranjar uma namorada para Tony, o que irritava Jeannie profundamente.


  Jeannie passou a ser produzida em cores a partir do segundo ano. Tentando dar um novo impulso ao seriado e conseguir mais audiência, os produtores acharam por bem tentar "refazer" o primeiro episódio em que Jeannie é encontrada numa ilha deserta. O pretexto foi criado por Jeannie para comemorar o primeiro aniversário dela junto com o Major Nelson. Para isso, ela desvia a nave espacial do astronauta para que caia na mesma ilha. Irritado com travessura de Jeannie, que atrapalhou a missão espacial, ele procura a garrafa para lhe dar uma grande bronca. Só que, por engano, liberta Blue Djinn, um poderoso e maligno gênio azul responsável por ter aprisionado Jeannie por centenas de anos. O gênio foi interpretado pelo próprio marido de Barbara, Michael Ansara. 

Apesar de parecerem simples, os efeitos especiais da fumaça da garrafa de Jeannie davam um trabalhão. E demoraram quase um mês para ficarem no ponto exato. A própria garrafa da gênia não era um objeto qualquer. Uma garrafa de bebida de marca famosa foi trabalhada a mão para ganhar contornos que lembravam a arquitetura de Bagdá. Duas foram criadas, sendo que uma terceira tinha tamanho natural onde eram gravadas as cenas que mostravam Jeannie no interior da garrafa.


No terceiro e quarto anos o Major Nelson teve que lidar com a irmã malvada de Jeannie, que por sinal também se chamava Jeannie. Barbara Eden , numa versão morena e com um figurino esverdeado, porém idêntico ao modelo rosa tradicional, infernizava a vida do astronauta. A Jeannie má sempre dava um jeito de prender a Jeannie boa na garrafa e ocupava o lugar dela para conquistar o Major Nelson.

 Nessa brincadeira, quem levava a pior era o Major Healey, que invariavelmente descobria o plano, mas, quando ia contar ao amigo o que se passava, acabava sendo mandado para um iceberg no Pólo Norte, onde tinha que dividir espaço com pinguins, ou era despachado para o meio do deserto, onde ficava enterrado com areia até o pescoço. Mas não é que ele conseguia voltar antes do final do episódio?

Outro personagem que tinha poderes mágicos era Djin-Djin, o cãozinho de estimação de Jeannie muito mansinho até ver alguém usando um uniforme ou farda. Aí a coisa mudava de figura. Djin Djin ficava invisível e destroçava os uniformes do pessoal. Não é preciso dizer que o Dr. Bellows era o mais prejudicado e sempre acabava em frangalhos, não?

"Jeannie é um Gênio" seguiu seu caminho emplacando cinco temporadas (1965 - 1970), apesar de não chegar nem perto da audiência de "A Feiticeira" nos Estados Unidos. Ao todo foram produzidos 139 episódios.


A  SÉRIE  NO  BRASIL

Jeannie é um Gênio estreou no Brasil em 1966 na recém inaugurada TV Globo que havia adquirido a TV Paulista. Durante algum tempo ainda era mencionado o antigo nome da emissora, mas logo passou para Globo. Na mesma emissora já era exibida a série A Feiticeira e, ao contrário, do que ocorrera nos Estados Unidos, no Brasil as duas séries nunca foram concorrentes, sempre mantiveram o seu público e, curiosamente, nunca se separaram nas diversas exibições que tiveram pelas emissoras.

Para todos sempre foi absolutamente normal, onde estivesse Samantha, também estaria Jeannie.

Após a exibição da 1ª temporada, a série é adquirida pela extinta TV Excelsior e, em 1968, já exibia a 2ª temporada e a 3ª de A Feiticeira. Com a crise econômica da emissora, as séries são adquiridas pela TV Record, a qual adquiriu as 3 temporadas restantes de Jeannie é um Gênio. No início da década de 1970 os novos episódios foram sucesso e a Record também exibia A Feiticeira.

Em 1975, as duas séries retornam para a Rede Globo e se alternavam no horário da tarde, além de ambas estarem também acompanhadas de A Noviça Voadora e Agente 86. Esse espaço foi futuramente ocupado por reprise de novelas e as séries foram se alterando em diversos horários, mas ainda em 1978/79 foram garantias de ibope para a extinta TV Tupi que estava prestes a sucumbir.

Após a falência da TV Tupi, as séries ficaram poucos anos fora do ar e migraram para a TV Bandeirantes por volta de 1983/84, onde ficaram até 1991. Talvez tenha sido a emissora que as exibiu mais , porém lembrando que somente as temporadas coloridas eram exibidas, ou seja, a 1ª temporada de Jeannie é um Gênio foi exibida pela última vez por volta de 1970/71 ainda na TV Record, antes do ingresso da tv a cores no Brasil.



Na década de 1990, há a expansão da tv a cabo no Brasil e Jeannie e Samantha ficaram de 1991 a 1996 fora do ar, mas com a chegada do canal Warner novamente são exibidas. Aqui, houve a grande novidade da Warner exibir as temporadas em preto e branco das séries, porém a Warner não as exibiu na íntegra e deixou diversos episódios sem exibição.

A questão foi solucionada em 1999/2000 quando a Sony colorizou e remasterizou as temporadas em preto e branco e foram exibidas pela Rede TV, além das coloridas também. Em 2004, já estavam juntas novamente no extinto canal 21 em horário nobre e foram lançadas à venda, em forma de dvd, praticamente ao mesmo tempo.

Entre os brasileiros as duas séries sempre encantaram, se fizermos uma pesquisa veremos que, a grande maioria do público se apaixonou pelas duas séries e, por isso, as emissoras sempre as exibiram conjuntamente, para ter o ibope garantido.




**A DUBLAGEM DA AIC**

Aqui, tivemos mais uma dublagem inesquecível da AIC. A 1ª temporada traz ainda uma certa indefinição no comportamento de todos os personagens. Jeannie é muito mais séria, mais contida, assim como Capitão Nelson e Healey. O próprio Dr. Bellows também não possui muito espaço nos roteiros.

Nessa 1ª temporada temos Líria Marçal, a qual dublou Jeannie em toda a série, Emerson Camargo dublando o Capitão Nelson, Dráusio de Oliveira para Healey e a substituição de Osmano Cardoso por Xandó Batista para o Dr. Bellows.

Se compararmos a dublagem da 1ª temporada com as demais notaremos que os personagens ainda não estão soltos e os roteiros um pouco acanhados, porém com o sucesso da série, da 2ª até a 5ª temporada notamos uma mudança radical no comportamento de Jeannie, De Tony Nelson, agora Major, e as participações do Major Healey e Dr. Bellows se integram muito mais aos roteiros, os episódios ficam mais ágeis.

Líria Marçal fez um trabalho maravilhoso com esta personagem, pois percebe-se que ela não inventou nada, apenas reproduziu de forma exemplar a mudança de comportamento da personagem. Com a saída de Emerson Camargo da AIC, Flávio Galvão assume o Major Nelson também até o final, o qual se identificou plenamente com o personagem expondo a sua capacidade para o humor.

 Dráusio de Oliveira e Xandó Batista também tiveram vários momentos de uma dublagem singular e divertida.
Houve ainda a partir da 2ª temporada a introdução de Amanda Bellows, a qual garantiu muitas confusões, dublada por Helena Samara e Elvira Samara em alguns episódios. Todos os dubladores que passaram por esta série deram a sua contribuição maravilhosa à proposta do criador de Jeannie é um Gênio: distrair e rir. Há diversos que estiveram: Magno Marino, Marcelo Gastaldi, Luiz Pini, Dulcemar Vieira, Sílvio Matos, Aliomar de Matos, Borges de Barros, João Ângelo, Eleu Salvador, Isaura Gomes, Ioney Silva e tantos outros que a memória nos falha.

Infelizmente, dos 139 episódios produzidos e dublados pela AIC, 13 tiveram as dublagens perdidas ou desaparecidas durante esses anos. Em todas as temporadas há episódios sem a dublagem original, a qual a Sony a substituiu por legendas nos dvds, porém jamais poderão retornar para uma emissora aberta.

Embora reconheçamos os talentos de todos os dubladores envolvidos neste trabalho, sem dúvida alguma Líria Marçal é a voz da nossa Jeannie brasileira. A sua escolha para dublar esta personagem foi, sem dúvida, o grande mérito do sucesso e da legião de fãs que conseguiu. Ao assistirmos hoje a um episódio de Jeannie é um Gênio, a atriz Barbara Eden e Líria Marçal se integram perfeitamente.

 É difícil para nós ouvirmos a voz da atriz, falta o elo vital que somente uma dubladora como Líria Marçal conseguiu identificar na personagem, a qual nos transmite uma Jeannie adorável, uma gênia que muitos gostariam de levar para os seus lares, apesar das grandes confusões que aprontava!



Vamos recordar, nestes vídeos, a inesquecível dublagem de Jeannie é um Gênio:


**EPISÓDIO / 1ª TEMPORADA**


**EPISÓDIO / 2ª TEMPORADA**


** EPISÓDIO / 3ª TEMPORADA**


** EPISÓDIO / 4ª TEMPORADA**


** EPISÓDIO / 5ª TEMPORADA**



**MUITO OBRIGADO LÍRIA MARÇAL POR TER DEIXADO ESTA JEANNIE PARA NÓS !!!!

**FONTE DE PESQUISA: site tv séries antigas e acervo pessoal.

**Marco Antônio dos Santos**

22 de agosto de 2011

A DUBLAGEM NO CINEMA NACIONAL


"Durante muito tempo o som de filmes brasileiros era inaudível. Hoje, a situação melhorou bastante. Mesmo assim é possível observar falhas de captação. Será um problema de equipamento? Não! Este aspecto faz parte de uma característica da escola brasileira de fazer cinema, que não dá a importância necessária ao som."

A opinião é do editor de som, microfonista e compositor de trilha musical Gustavo de Souza.

O problema do áudio nos filmes nacionais sempre foi uma espécie de "perseguição" a qual nunca pode escapar. Com efeito, se relembrarmos as chanchadas da década de 1940, a grande saída era torná-las um musical, a fim de que pouco se percebesse a grande dificuldade de uma captação do som, mesmo dentro de um cenário, em externas era impossível.

Aqui, devemos frisar que as salas de cinema também não estavam preparadas para os filmes brasileiros, já os filmes americanos não demonstravam essa questão por dois motivos: o investimento no áudio era muito superior ao nosso e, mesmo que algum filme apresentasse um áudio mais difícil, todos entendiam, porque simplesmente tinham as legendas para solucionar a compreensão dos diálogos.

"A década de 1950 marca, em São Paulo, a tentativa de se implantar a indústria cinematográfica, juntamente com a inauguração de um importante movimento teatral, marcado pela fundação do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e a implementação das artes plásticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). A fundação da Vera Cruz fez parte de um projeto estético-cultural mais amplo, que previa para São Paulo a vitalização da vida cultural, conduzida pela burguesia industrial buscando uma hegemonia na vida política e cultural do país.

A produção da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de estúdios, com a preocupação de produzir industrialmente seus filmes, que constituíam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lançando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como de Tônia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliane Lage entre outros."

**ANSELMO DUARTE NO FILME TICO-TICO NO FUBÁ**

"O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem dúvida o qualitativo técnico, pois era bem equipada, contava uma equipe técnica - maior parte estrangeira - que trazia consigo a experiência de fora, suas produções traduziam a preocupação de ser um cinema sério, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atlântida. No entanto os motivos de fracasso do estúdio são, entre outros, alto custo dos seus filmes, a ausência de uma distribuidora própria - sofrendo dificuldades de escoar seus produtos ao mercado e salas de cinema brasileiras.

É nesse período (1950-54), que surge a idéia da dublagem dos filmes nacionais, assim, com o som de estúdio, o telespectador conseguiria compreender muito bem. Mas, estamos falando do início da década de 1950, quando a dublagem nem existia para a televisão, era algo ainda muito arrojado. Dessa forma, a opção natural era que os próprios atores fizessem a dublagem de seus personagens, porém nem todos conseguiam.

 Grandes problemas começaram a ocorrer, uma vez que a maioria dos atores não conseguia realizar a dublagem. Após algumas tentativas, Adolfo Celi resolveu convidar radioatores, que dublaram nos próprios estúdios da Vera Cruz. Assim, a atriz Eliane Lage ficou com a voz da radioatriz Gessy Fonseca.

 O problema persistiu por muito tempo e, é lógico, que o público sempre criticou o áudio do cinema nacional. A falta de incentivo do governo brasileiro à Cultura, os altos custos para equipamentos sempre fizeram que o cinema nacional recorresse à dublagem.

 Após o início da dublagem para a televisão, com estúdios em São Paulo e no Rio de Janeiro, adotou-se como prática comum a finalização sonora num estúdio de dublagem durante toda a década de 1960, 70 e até quase o final da de 80. Em São Paulo, em 1963, com o surgimento do estúdio Odil Fono Brasil, abriu-se um grande canal para as dublagens do cinema brasileiro.
 A AIC, praticamente, era dominada para as dublagens de filmes americanos, desenhos e séries de tv.

Sendo assim a Odil foi um estúdio que talvez tenha realizado um número maior de finalizações sonoras para filmes brasileiros, ganhando até do estúdio Herbert Richers. Embora a AIC tenha dublado diversos filmes brasileiros, principalmente os produzidos por Zé do Caixão, a Odil Fono Brasil e a Herbert Richers foram os dois estúdios que mais dublaram filmes nacionais."

Sendo assim, em todos os filmes criou-se algo muito curioso: tínhamos as vozes dos atores principais (quando conseguiam dublar os seus personagens) e dubladores conhecidos para personagens secundários, às vezes, até para os protagonistas. No filme "Um Certo Capitão Rodrigo", produzido na dédada de 1970, protagonizado pelo falecido ator Francisco Di Franco, encontramos a voz do dublador Lauro Fabiano.

 A situação do áudio no cinema brasileiro é algo que até hoje ainda não está totalmente resolvido, devido aos altos custos para investimento.

 Vejam esta entrevista de Ana Chiarini:

**O PAGADOR DE PROMESSAS (1962)**

Ana Chiarini possui graduação em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo (1990) com habilitação em Cinema. Atua principalmente nas áreas de Edição de Som e Edição de Diálogos para Cinema.

Você trabalha muito com edições de som, especialmente de diálogo. Como se dá o processo da edição do som por completo, e como é a relação entre a equipe de som no processo de edição?

Primeiro recebemos o copião montado do filme, ou seja, a imagem montada. Muitas vezes, essa imagem não está fechada, o que significa que ela ainda pode passar por mudanças – o diretor ainda não está certo de algumas decisões, o montador prefere “afinar” a montagem com a música ou alguns planos terão algum efeito visual que demora mais tempo para ficar pronto.

Nesse momento, é essencial que a montagem nos forneça todas essas informações, pois elas afetam o trabalho de edição de som. A partir daí, o supervisor de som se reúne com diretor e montador e discute decisões estéticas. A partir dessas discussões, é feito um mapa sonoro, uma decupagem, de quais sons serão usados em quais momentos do filme. Alguns são bastante óbvios, outros nem tanto.

 Esse é o momento de traçar uma estratégia de trabalho, de acordo com o desejo do diretor, as sugestões do supervisor de som e, obviamente, o orçamento. A seguir começa o meu trabalho, o do editor de diálogos. É minha função cuidar do som direto do filme e tudo o que se relacione a voz (o que inclui as dublagens e os vozerios). Eu ressincronizo, limpo, busco alternativas para planos de som problemáticos, avalio a necessidade de dublagem (por razões técnicas, não artísticas.

Cabe somente ao diretor decidir dublar uma fala de um ator por não gostar da interpretação), faço mapas de dublagem e vozerio e preparo as pistas de som, já visando a utilização dessas dublagens. Isso feito, ainda que não tenhamos as dublagens e os vozerios gravados, os outros membros da equipe já podem começar a trabalhar. É sobre o som direto do filme que os outros elementos serão adicionados (ambientes, ruídos e música).

O diálogo é a referência para o resto. É importante que o editor de ruídos de sala saiba que o diálogo do filme está sincronizado e limpo e que, por exemplo, aquela batida de porta do som direto que ele vai querer reforçar, já está no lugar correto e não será modificada nem 1 fotograma. E para os músicos, é necessário saber onde os ruídos (que foram colocados muitas vezes em relação ao diálogo) estarão, para compor sua música. Ou seja, se há modificação na imagem, haverá modificação no diálogo que afetará os outros editores e os músicos. É um efeito dominó. E todos devem estar bem coordenados.

  ***O CASO DOS IRMÃOS NAVES (1967)***

           **Aqui, temos dois vídeos interessantes: o primeiro é um trecho do filme Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, no qual percebe-se, claramente, todo o trabalho da nitidez do ruído da chuva, mesmo com as falas das personagens. Este filme foi finalizado no estúdio Herbert Richers por volta de 1963/64:
  video

**Neste segundo vídeo, temos um pequeno trecho do filme "O Caso dos Irmãos Naves" de Luís Sérgio Person. Aqui, encontramos os dubladores Borges de Barros, Neville George, Waldyr Guedes e Osmiro Campos dublando personagens secundários. Esta dublagem foi realizada pelo estúdio Odil Fono Brasil em 1967/68:
video


**FONTE DE PESQUISA: Enciclopédia do Cinema Brasileiro e Acervo Pessoal.



**Marco Antônio dos Santos**

7 de agosto de 2011

GUIA DE DUBLAGEM (19): VIAGEM AO FUNDO DO MAR / 4ª TEMPORADA





A 4ª e última temporada de Viagem ao Fundo do Mar (1967-68) é talvez a que apresenta uma maior irregularidade nos roteiros dos episódios.


Mesmo com a audiência ainda em um bom nível, na 3ª temporada, a orientação foi baixar os custos da 4ª temporada. Sendo assim, os episódios, além de ficarem restritos praticamente aos cenários do Seaview, poucos roteiristas aceitaram essa determinação da ABC, o que provocou episódios de extrema qualidade enquanto outros a concepção do texto acabou se perdendo.

Outro fator, que talvez tenha prejudicado mais a essa temporada, foi o fato de que todos os atores já sabiam que a série seria encerrada, uma vez que Irwin Allen já apresentara um novo projeto: Terra de Gigantes.

Seja como for, a 4ª temporada ainda traz desempenhos fantásticos de Richard Basehart e David Hedison e de alguns atores convidados, além de alguns episódios excelentes. No transcorrer da temporada há alteração da abertura, mostrando uma cena de perigo e os símbolos do sonar abrindo e fechando a cena.


**A DUBLAGEM DA SÉRIE**


Esta temporada não apresenta alterações significativas em comparação com a temporada anterior. Novamente, o único personagem a ter vozes alteradas foi o Chefe Sharkey. Há um fato bastante curioso: Ary de Toledo dubla apenas um episódio, o que demonstra que, provavelmente, a dublagem não seguiu a ordem de exibição dos episódios.

Também encontramos Carlos Campanile substituindo Carlos Alberto Vaccari, como narrador da abertura, também em apenas um episódio.

Destacamos aqui, a extraordinária competência do dublador Wilson Ribeiro realizando um falsete, quase não identificável, para dublar um boneco no episódio As Bonecas Mortais.

Não conseguimos registros do tradutor desta temporada.

Quanto à direção de dublagem há opiniões divergentes: alguns dubladores citam que Dráusio de Oliveira continuou, porém foi substituído por Garcia Neto já no final da temporada. Outros dubladores afirmam que fora uma substituição eventual.



**ELENCO FIXO / ATORES / PERSONAGENS / DUBLADORES**



*Richard Basehart (Almirante Nelson):
Ronaldo Baptista.

*David Hedison (Capitão Lee Crane):
Osmiro Campos.

*Robert Dowdell (Chip Morton):
Wilson Ribeiro.

*Terry Becker (Chefe Sharkey):
Ary de Toledo (em 1 episódio), Newton Sá (1ª voz) e Francisco José ( 2ª voz).

*Del Monroe (Kowalski): Batista Linardi.

*Paul Trinka (Patterson): Sílvio Navas.

*Arch Whiting (Sparks): José Miziara.

*Richard Bull (Médico do Seaview):
Wilson Kiss.

*Narrador da abertura: Carlos Alberto Vaccari e Carlos Campanile (em 1 episódio).




**ATORES / PERSONAGENS / DUBLADORES / 26 EPISÓDIOS /



85 – FOGOS MORTAIS

       *Victor Jory (Dr. Turner): Luiz Pini.
        *Joe E. Tata (Frank Brent): Sérgio Galvão.




86 – AS BONECAS MORTAIS

        *Vincent Price (Professor Múltiplo): Waldyr Guedes.
        *Marionete do Almirante Nelson: Wilson Ribeiro (em falsete).




87 – O NAVIO FANTASMA

        *Warren Stevens (Comandante Peter Van Wyck): Hugo de Aquino Júnior.
        *Bar La Rue (Voz da caverna): ???



88 – VIAJANDO COM O PAVOR

        *Gene Dynarski (Centaur 1): Waldir de Oliveira.
        *Jim Gosa (Centaur 2): ???
        *Bart La Rue (Voz do controlador do Centro Espacial): Francisco José.



89 - ORDENS SECRETAS

        *Jackie Basehart (Jackson): ???



90 – O HOMEM DE MUITAS CARAS

        *Jock Gaynor (Dr. Randolph Mason):
 Hugo de Aquino Júnior.
        *Howard Culver (Repórter): Xandó Batista.
        *Bradd Arnold (Funcionário da estação de tv): Francisco José.
        *Bart La Rue (Voz do narrador do noticiário): 
Xandó Batista.



91 – CARGA FATAL

        *Woodrow Parfrey (Leo Brock): Muíbo César Cury.
        *Jon Lormer (Dr. Pierre Blanchard): José Soares.




92 – A HORA PRÉ-DETERMINADA

        *John Crawford (Alpha): João Paulo Ramalho.
        *Gil Perkins (Andróide 1): Rebello Neto.
        *Roy Sickner (Andróide 2): ???





93 – SALVAMENTO

        *Don Dubbins (Beach): Francisco José.


 OBS> A partir deste episódio há alteração da abertura, com a cena em perigo e os sinais do sonar.




94 – TERROR

        *Damian O’Flynn (Dr. Thompson): Luiz Pini.
        *Terry Becker (Chefe Sharkey): Ary de Toledo.
        *Patrick Culliton (Dunlap); este personagem não fala.
        *Brent Davis (Homem do reator 1): Francisco José.
        *Thomas Brann (Homem do reator 2): Bruno Netto.
        *Denver Mattson (Homem do reator 3): Marcelo Gastaldi.
        *Paul Stader (Homem do reator 4): ???
        *Bart La Rue (Dr. Brinks): João Paulo Ramalho




95 – SEM HORA PARA MORRER

        *Henry Jones (Sr. Pem): Eleu Salvador.


OBS> A partir deste episódio, o personagem Chefe Sharkey passa a ser dublado por Francisco José até o final da série.




96 – PARANÓIA

         *Não houve atores convidados neste episódio.

        Obs 1> A abertura deste episódio segue o modelo dos episódios iniciais da temporada.

        Obs 2> A abertura é narrada por Carlos Campanile.





97 -  OS ANFÍBIOS

        *Don Matheson (Proto): João Paulo Ramalho.
        *Joe E. Tata (Enfermeiro): ???



98 – A VOLTA DO BARBA NEGRA

        *Malachi Throne (Barba Negra): Turíbio Ruiz.




99 – OS DUENDES

        *Walter Burke (Duende Mickey Moore / Duende Patrick Moore): Sílvio Matos.
        *Patrick Culliton (Enfermeiro): Garcia Neto.
        *Ralph Garret (Sommers): ???





100 – O HOMEM LAGOSTA

 *Victor Lundin (Homem Lagosta): Luiz Pini.




101 - PESADELO

          *Paul Mantee (Jim Bentley): Sérgio Galvão.




102 – O ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES

          *Dusty Cadis (Rayburn): ???
          *Bruce Mars (Hawkins): Nelson Batista.
          *Frank Babicch (Enfermeiro): ???
          *Ronald Gans (Voz do Abominável Homem das Neves): José Soares.



103 – O SEGREDO DAS PROFUNDEZAS

          *Peter Mark Richman (John Hendrix):
 João Paulo Ramalho.




104 – O HOMEM-FERA

          *Lawrence Montaigne (Dr. Kermit Braddock):
 Aldo César.



105 – FLORESTA SELVAGEM

          *Perry Lopez (Keler): Nelson Batista.
          *Patrick Culliton (Alienígena): ???




106 – GELO FLAMEJANTE

          *Michael Pate (Gélido): Osmano Cardoso.
          *Frank Babich (Homem gelado): Gervásio Marques.




107 – ATAQUE

          *Skip Homeier (Robek): Garcia Neto.
          *Kevin Hagen (Komal): Antonio Cardoso.



108 – NA TÍMBRIA DO DESTINO

          *Tyler McVey (General): Arquimedes Pires.



109 - O RELÓGIO DA MORTE

          *Chris Robinson (Enfermeiro Mallory): Ézio Ramos.



110 – SEM SAÍDA

          *Henry Jones (Sr. Pem): Eleu Salvador.
          *Barry Atwater (Major General Benedict Arnold): Arquimedes Pires.
          *William Beckley (Major John Andre): Francisco Borges.



**Felizmente, a dublagem de Viagem ao Fundo do Mar, realizada pela AIC, foi preservada, assim podemos assistir aos seus 110 episódios com a certeza de um trabalho primoroso em diversos aspectos !!!!


**Fotos: Fã e colecionador: Michael Bayle**

    ***Colaboração:   Marcus  Anversa ***

  ****Marco Antônio dos Santos****