28 de março de 2010

CONHECENDO ALGUMAS VOZES (02)





*LIA SALDANHA *


Outra dubladora praticamente desconhecida. Não há fotografias, informações sobre a sua vida profissional, etc.

Esteve bem no início da AIC. Participou do 1ºe 3º episódios do desenho Os Jetsons, sendo substituída por Isaura Gomes no 2º episódio e até o final da temporada, na dublagem de Jane Jetson.


Sua voz sempre foi muito confundida com a da atriz Márcia Real, por isso ela a substitui na 2ª temporada da série A Feiticeira, com a personagem Endora, mas dublou apenas 3 episódios: nº 01, 02 e 04 sendo substituída por Gessy Fonseca.


Participou também de algumas séries da época como Rota 66, Os 3 Patetas e Jeannie é um Gênio. Após a sua pequena participação em A Feiticeira não há informações sobre a sua carreira. Segundo seus colegas da época, Lia Saldanha já é falecida há muitos anos.


**Aqui, um trecho da série A Feiticeira, onde Lia Saldanha dubla Endora no início da 2ª temporada da série:

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Dublador que esteve presente no final da década de 1960 na AIC. Substituiu Marthus Mathias a partir da 4ª temporada de Os Flintstones. Também dublou o chefe dos Agentes da Uncle. Uma de suas participações espetaculares foi no episódio "O Viajante Astral" da 2ª temporada da série Perdidos no Espaço.
Dublou atores convidados nas séries Jeannie é um Gênio e Jornada nas Estrelas.

Por volta de 1968/69 se transfere para o estúdio TV Cinesom no Rio de Janeiro.

Através do dublador Hugo de Aquino Júnior conseguimos esta fotografia, infelizmente não há  maiores informações de sua biografia.

Dono de uma voz bem peculiar, Alceu Silveira deu um novo tom para o personagem Fred Flintstone. Atualmente, há fãs que gostam de ambos dubladores, embora quando Fred se irrite, fique um pouco mais moderado.

Era tio do dublador Neville George. Segundo informações de outros dubladores, Alceu Silveira faleceu em 1970 em decorrência de problemas cardíacos.

**Aqui, conseguimos um pequeno trecho , no qual Alceu Silveira dubla Fred Flintstone:


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Filha do dublador Magno Marino, muitas vezes também é conhecida como Magda Marino. Esteve na AIC, juntamente com o seu pai, e participou de inúmeros desenhos da época. Há registros sonoros em Os Flintstones, Zé Colméia, Os Jetsons, Manda-Chuva, etc... Pela sua caracteristica de voz, fez diversas gatinhas no desenho Top Cat, mocinhas e princesas magrinhas.

Também foi a 1ª voz do computador da Enterprise. Sempre teve uma grande versatilidade para alterar a voz para os desenhos da época. Também participou de séries de tv, dublando convidadas em séries como Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, etc.


Quando seu pai transferiu-se para o Rio de Janeiro, ela também se retirou da AIC. Consta que a partir de então, dedicou-se ao teatro, principalmente ao teatro infantil. Após algum tempo, ingressou na aviação civil,  sendo comissária de bordo, abandonando definitivamente, a carreira artística.


**Aqui, temos um pequeno trecho do episódio "Triskellion" da série Jornada nas Estrelas, onde dubla ao lado de Astrogildo Filho.

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Paulo Pereira começou a carreira como radioator na Rádio Nacional do Rio de Janeiro na década de 1950.

Entre seus inúmeros trabalhos em rádio está a obra "A Paixão de Cristo", realizada em 1959, na Rádio Nacional, onde fez algumas participações.

Em 1960, Paulo Pereira se transfere para São Paulo, sendo contratado pela Rádio Bandeirantes e, a partir daí, também inicia na dublagem no estúdio Gravasom, posteriormente AIC,  indicado pelo radialista e dublador Ronaldo Baptista. Também realizou algumas dublagens no estúdio Ibrasom.


Em 1963, logo após um breve período na AIC, retorna para o Rio de Janeiro, devido à sua saída da Rádio Bandeirantes. Nessa época, o gênero radionovela começa a ficar em crise devido à expansão da nossa tv.


No Rio de Janeiro, participou de diversos estúdios de dublagem: CineCastro, Riosom, TV Cinesom e Herbert Richers.

   Paulo Pereira afastou-se da dublagem no início da década de 1980, vindo a falecer em 1987, aos 72 anos de idade.

*Algumas dublagens realizadas:


-Diversos personagens na série Além da Imaginação (Gravasom).
-Alguns personagens no filme "Os Mistérios do Rosário" (AIC).
-Série Ivanhoé (AIC).- Duque Duralumínio (segunda voz) em A Princesa e o Cavaleiro.
- Joe (Dub Taylor) em Um Homem Chamado Cavalo.
- Cachorro Trambique em A Arca do Zé Colméia.
- Brutus em Popeye (Cinecastro).
- Dweedle em Cavalo de Fogo.
- Jamesy MacArdle (Wallace Beery) em Mares da China.


**Aqui temos o episódio "Pesadelo", da  série Além da Imaginação, dublado pelo estúdio Gravasom, no qual Paulo Pereira participa da dublagem:





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Esta dubladora ingressou na AIC, provavelmente, no 2º semestre de 1968. Analisando as dublagens realizadas por ela, não se verifica nada antes dessa época. Deise Celeste, segundo a opinião de alguns que a conheceram, veio do Rádio, de um programa musical, onde pessoas ofereciam melodias às outras. Dona de uma voz suave foi aprovada num teste para dublar também.

Participou em diversas séries da época, dublando atrizes convidadas. Há vários exemplos nas séries: Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Lancer, Jornada nas Estrelas, A Feiticeira, Daniel Boone, Jeannie é um Gênio, etc. Dona de uma voz bem nítida e interpretação marcante, dublou muitos personagens em filmes também.

Sua passagem pela AIC, teria sido de 1968 a 1974.
Alguns afirmam que teria dublado também no estúdio Álamo na década de 1970. Mas a certeza absoluta só viria quando dublou a vilã Neifer em Comando Estelar Flashman na década de 1980.

Há muitos anos, praticamente desde a década de 1990, não obtivemos mais notícias sobre a sua carreira artística. Há indícios que a abandonou totalmente e se mudou para o litoral paulista.


**Aqui, um trecho da série Lancer com Deise Celeste, ao lado dos dubladores Sérgio Galvão, Wilson Ribeiro e Dante Ruy:
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Zaide Nacaratto nasceu em 14 de abril de 1928.
Sua atividade profissional sempre foi ligada à área administrativa, iniciando sua profissão nas extintas lojas Sears.

Iniciou na AIC já desde o seu surgimento, em 1962, contudo na área administrativa. Trabalhando diretamente com Mário Audrá, efetuava a folha de pagamento, dos anéis dublados, para os dubladores.

 Com a enorme quantidade de desenhos de Hanna Barbera que chegou, nos primeiros anos da década de 1960, devido ao seu timbre de voz forte, Older Cazarré a testou para dublar bruxas, mulheres duronas e, assim, fazia alguma ponta em série de tv ou desenho, porém não teve nenhum personagem fixo, participando de episódios dos desenhos: Zé Colmeia, Patinho Duque, Dom Pixote, Touché, Leão da Montanha, entre outros. Houve também uma pequena participação num episódio da 1ª temporada da série de tv Jeannie é um Gênio.

Paralelamente, nunca abandonou a área administrativa da AIC, embora, eventualmente, alguns diretores de dublagem a escalassem para uma pequena participação, como José Soares e Olney Cazarré.

 Eternizou a sua voz em algumas produções famosas como a Bruxa que queria sua vassoura consertada, mas não queria pagar os 50 centavos que valia em Pica-Pau ao lado de Olney Cazarré.

 Dublou durante muito tempo, nos episódios de Tom e Jerry, a voz da dona do Tom, a qual apareciam apenas as pernas.

Afastou-se da AIC no ano de 1970, trabalhando em outras empresas, sempre na área administrativa.


Zaide Nacaratto faleceu no dia 22 de março de 2015, aos 86 anos, devido às complicações de um tumor na garganta.


**Aqui, encontramos um desenho do Patinho Duque, no qual Zaide Nacaratto dubla uma mãe Canguru:




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Uma das dubladoras que iniciou a sua carreira na dublagem na AIC, por volta de 1969/70. No início, fez pequenos personagens e devido ao aprofundamento da crise financeira, que se instalava no estúdio, acabou não tendo personagens de destaque. Entretanto, seguiu a carreira em outros estúdios de São Paulo, como Álamo, BKS , chegando até os mais recentes. Atualmente, Neusa Azevedo está participando muito pouco de dublagens.

**Seus principais trabalhos:


-Change Marmeid em "Changeman"
-Galadriel em "O Senhor dos Anéis" (Trilogia)
-Ambarina em "A Pedra dos Sonhos"
-Wilma Flintistone em "Os Flintstones" (atual) e no filme de 1994.
-Lea Thompson em "De Volta para o Futuro 1, 2 e 3"
-Michelle Pfeiffer em "Deixe-me Ir" (DVD)
-Joan Lawson (Marla Pennington) em "Super Vicky"
-Purima em "Jaspion"
-Capitã Shimazu em "Cybercops"
-Helen Bell em "Sharivan"
-Helen Hunt no filme "Melhor Impossível.


** AQUI UM VÍDEO DA SÉRIE SUPER VICKI, ONDE NEUZA AZEVEDO DUBLA A PERSONAGEM JOAN LAWSON.

 PARTICIPAM DRÁUSIO DE OLIVEIRA, SANDRA CAMPOS E CECÍLIA LEMES**
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Iniciou a sua carreira na AIC  por volta de 1968. Começou fazendo pontas, principalmente na série de tv Viagem ao Fundo do Mar, sendo a voz do "controle de danos", frequente na última temporada. Participou de séries, ainda dublando pontas, como A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, Terra de Gigantes, Kolchack, os Demônios da Noite, etc.

Posteriormente, dublou nos estúdios: Bks, Sc, Megasom e Sigma.


Jorge tambem é diretor de dublagem, dirigiu na Sc, Megassom, onde tambem foi coordenador, e atualmente dirige na Sigma, na qual tambem é dono da empresa.


Como locutor também desempenha esse trabalho na dublagem, tendo narrado já em várias casas como Bks, Maga, entre outras, e atualmente narra na Sigma, onde tambem dirige e dubla eventualmente.

Entre seus trabalhos como dublador estão os filmes:

Philip Nolan interpretado por Cliff Robertson em O Homem Sem Pátria.
Doutor Egon Spengler interpretado por Harold Ramis em Os Caça Fantasmas e Os Caça Fantasmas 2.

Doutor Kane interpretado por Meshach Taylor em Damien - A Profecia 2.
Professor Wilson T. Renfrew interpretado por George Coe em Rompendo Correntes, Deputado Leonard Hendricks "Lenny" interpretado por Jeffrey Kramer em Tubarão e Tubarão 2.
Marcus Publius Glabrus intrerpretado por John Dall em Spartacus (1960), entre outros.

Em desenhos fez a segunda voz do Dinobot em Beast Wars, Doutor Egon Spengler em Os Caça Fantasmas, uma das vozes menos conhecidas do Zeca Urubu e do Zé Jacaré, a voz mais conhecida do Urso Polar Max, uma das vozes do O'Hollian do Windy em Pica Pau, Microfone em O Point do Mickey, entre outros.


Em séries de tv, fez Coronel Roderick Decker interpretado por Lance LeGault em Esquadrão Classe A, a segunda voz de Mitch Sassen interpretado por Mitch Longley em Las Vegas, a primeira voz de Josh Clemens interpretado por Jimmy Dean em Daniel Boone.



**Aqui, encontramos Jorge Barcellos dublando um convidado na série Kolchack e os Demônios da Noite. Dubla o vice-presidente de uma empresa, o qual conversa com Kolchack, dublado por Amaury Costa:
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** HENRIQUE  OGALLA **

Henrique Ogalla nasceu no dia 12 de Dezembro de 1944, em São Paulo, Capital.Começou a carreira na televisão em 1956 aos 12 anos na Tv Paulista na novela Meu Filho, Meu Orgulho, no mesmo ano foi um dos apresentadores mirins do programa Zas-Traz ao lado de Mario Lúcio de Freitas, Maximira Figueiredo e grande elenco que na época tambem eram crianças.

Na AIC, ficou alguns anos, e iniciou dublando pequenos personagens até atores convidados. Participou muito das séries A Escuna do Diabo, Viagem ao Fundo do Mar, O Túnel do Tempo e Terra de Gigantes.

Por volta de 1969 se transfere para o Rio de Janeiro e participa de diversos estúdios, entre eles TV Cinesom, no qual dubla Robin na 3ª temporada de Batman. Assim, também participou da Cinecastro, Telecine, Herbert Richers e Cinevídeo.

Entre sua carreira estão muitos personagens principalmente em desenhos como Bobby de Caverna do Dragão, Alan de Josie e As Gatinhas, Gordinho em Bicudo, O Lobisomem, Andy Lebeau em o Anjinho da Guarda, Gurgle na animação Procurando Nemo, Príncipe Turan em Os Cavaleiros da Arábia, Zilly nas duas dublagens de Máquinas Voadoras, o castor Bingo em A Nossa Turma, Mickley em Corrida Maluca, Marlon em Jackson Five, entre outros.

Um personagem de grande sucesso foi Brandon Walsh, interpretado por Jason Priestley na série Barrados no Baile. 
Henrique Ogalla, devido a sua característica vocal, sempre foi escalado, principalmente, para desenhos e para dublar jovens.
Atualmente, está afastado da dublagem.


**Temos aqui um trecho do episódio "O Idolo da Morte" da série O Túnel do Tempo, no qual Henrique Ogalla dubla um jovem índio:
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**LÍBERO MIGUEL**


Líbero Miguel nasceu em 4 de Maio de 1932 em São Paulo, Capital.


Começou a carreira como ator participando do Tv de Vanguarda em 1956 na Tv Tupi, alem da novela O Pequeno Lorde em 1957, também na emissora. Em 1959 foi para a Tv Paulista, tendo participado das novelas As Quatro Irmãs e A Loja de Antiguidades, ambas em 1963. 

  

Como produtor, fez a novela Os Irmãos Dombey em 1959 na Tv Paulista. 

  

Além disso também foi diretor de novelas, dirigindo as novelas A Herdeira de Ferleac, As Grandes Esperanças e Mateus Falcone em 1961, A Loja de Antiguidades em 1963, Eu Amo Esse Homem e Tortura d'Alma em 1964 na Tv Paulista, e Paixão de Outono e Ilusões Perdidas em 1965 na Rede Globo. No cinema dirigiu os filmes Ipanema Toda Nua em 1971, Regina e o Dragão de Ouro em 1973 e Os Insaciados em 1981. 

  

Na dublagem Líbero entrou em meado dos anos de 1966 na AIC. No início da década de 1970 também dublou na CineCastro e permaneceu na AIC até seu encerramento e reabertura como BKS. Na década de 1980 continuou na BKS e ingressou na Álamo, onde nesta última se tornou diretor de dublagem, sendo um dos mais importantes diretores do estúdio.



Entre suas direções ficaram marcadas principalmente séries de Tokusatsu como Comando Estelar Flashman, Esquadrão Relâmpago Changeman, a primeira direção de O Fantástico Jaspion, a primeira direção de Jiraiya, O Incrível Ninja, entre outros.


Como dublador, iniciou com pequenos personagens em filmes e séries de TV na AIC.
Aos poucos, foi demonstrando todo o seu potencial e ganha personagens de mais destaque em filmes nas dublagens do estúdio.
Entretanto, o declínio econômico da AIC fez com que diversificasse o seu trabalho em outros estúdios e no teatro e cinema.

Nas séries japonesas foi onde teve maior fama, e é lembrado até hoje, nos papeis de Lion Man Branco interpretado por Kanehiro Nomiyama em Lion Man.

 Imperador Monarca La Deus dublado originalmente por Uncho Ishizuka em Comando Estelar Flashman, a voz masculina de Shima dublado originalmente por Michirou Iida em Esquadrão Relâmpago Changeman, Satan Goss dublado originalmente por Shouzou Iizuka e Ikki interpretado por Toshimichi Takahashi em O Fantástico Jaspion, a primeira voz de Yoninin Dokussai interpretado por Noriaki Kaneda em Jiraiya.
 O Incrível Ninja, entre outros.

Líbero Miguel veio a falecer no dia 28 de Outubro de 1989, vítima de um aneurisma cerebral. O seu último trabalho foi como o Ninja Dokussai, no qual foi substituído por Gilberto Baroli, que também o substituiu na direção da série. Líbero foi casado com a também atriz, dubladora e diretora de dublagem Nair Silva.
Líbero deixou um legado muito grande, principalmente nessas séries japonesas no qual sua voz ficou muito famosa, e também nas direções das mesmas, além de toda a trajetória na dublagem, no cinema e na televisão, mostrando o profissional ímpar que era.



**PRINCIPAIS DUBLAGENS**


- Ike Clanton (Lyle Bettger) em Sem Lei e Sem Alma

- Coronel Glover (Jonathan Terry) em A Volta dos Mortos Vivos

- Promotor Mitch Lodwick (Brooks West) em Anatomia de Um Crime

- Xerife Joe Pryor (Dick Miller) em Capone - O Gângster

- Atraxon (Daniel Massey) em Os Titãs Voltam à Luta na Atlântida

- Dr. William Stockle (Barry Sullivan) em Terremoto

- Clare Quilty (Peter Sellers) em Lolita

- Coronel Oberst Brandt (James Mason) em Cruz de Ferro

- Frank Harlan (Robert Duvall) em Joe Kidd

- David Warfield (Sam Wanamaker) em Superman IV: Em Busca da Paz

- Comandante Fred em Comando Dolbuck
- Robert Thorn (Gregory Peck) em A Profecia
- Leo Porter (Louis Gossett Jr.) em Os Aventureiros do Fogo
- Prefeito Will Blue (Henry Fonda) em O Homem Com a Morte Nos Olhos
- Fantasma Negro em Cyborg 009 (1966)
- Kid Twist (Harold Gould) em Golpe de Mestre
- Lion Man Branco (Kanehiro Nomiyama) em Lion Man
- Imperador Monarca La Deus (voz) (Uncho Ishizuka) em Comando Estelar Flashman
- Shima (voz masculina) (voz) (Michirou Iida) em Esquadrão Relâmpago Changeman
- Satan Goss (voz) (Shouzou Iizuka) e Ikki (Toshimichi Takahashi) em O Fantástico Jaspion
- Yoninin Dokussai (Noriaki Kaneda) (primeira voz) em Jiraiya, O Incrível Ninja
- Adam Bonner (Spencer Tracy) em A Costela de Adão


*Mais um grande expoente da dublagem brasileira que também iniciou na AIC*

**VAMOS REVER A EXCELENTE DUBLAGEM DE LÍBERO MIGUEL PARA O ATOR GREGORY PECK NO FILME "A PROFECIA", DUBLADO PELO ESTÚDIO BKS**



**Este outro vídeo, dublado em 1966 na AIC, traz Líbero Miguel no início da carreira de dublador ao lado de Helena Samara e Gessy Fonseca**



*Fonte: Casa da Dublagem /
Acervo Pessoal /
*Colaboração: Carlos Campanile e Dalete Cunha /

**Marco Antônio dos Santos**

21 de março de 2010

ENTREVISTA COM JOÃO ÂNGELO


1 - Quais profissões você exerceu antes de ser dublador e como chegou aos estúdios AIC ?

R: Fiz de tudo um pouco. Fui "gravador de clichês" e trabalhei no Estadão. Depois fiz pequenos serviços aqui e ali até que fui trabalhar na antiga Lutz Ferrando onde fui laboratorista de fotografia. Depois passei a trabalhar na antiga WEMAG, fábrica de carros, na função de programador de produção onde fiquei por dois anos. Após a WEMAG fiquei saltando de trabalho em trabalho sem me fixar em nada. Só pra te dar uma idéia fui até servente de pedreiro.
Mas, durante todo esse período, sempre fiz teatro, que era a minha grande paixão, até que em 1963 comecei a fazer pontas e pequenos papeis na extinta TV TUPI.
Dali para a dublagem foi uma sequência lógica, mas antes de ir para a AIC passei pela IBRASOM, onde dublei por uns bons anos.


2 - Você se recorda da sua primeira dublagem ? Estava ansioso ?

R: Não me lembro da minha primeira dublagem, só que estava mais do que ansioso.


3 - Você teve alguns personagens fixos em séries de tv, os quais marcaram muito aquela geração. Um deles foi o hilário Dr. Bombay de A Feiticeira e o General Schaeffer de Jeannie é um Gênio. Como foram essas experiências com a comédia ?

R: Marco Antonio, a comédia nunca foi problema para mim. A verdade é que gosto demais desse gênero. Comecei minha carreira fazendo comédia.





4 - Outro personagem que foi bem realizado por você, foi o co-piloto Dan de Terra de Gigantes. Sua voz parecia que era do próprio ator. Como foi essa experiência ?


R: O Dan de Terra de Gigantes foi uma surpresa maravilhosa porque eu não esperava por ele. Fiz o teste e nunca mais liguei para o fato. Quando entrei no estúdio e me disseram o que era tive um pequeno susto pois, como disse acima, não esperava.Mas foi muito bom.





5 - Talvez o personagem mais inesquecível para todos foi a substituição de Neville George, dublando Dr. McCoy em Jornada nas Estrelas. Ali, você realmente foi um intérprete da voz que enalteceu a dublagem da série. Comente essa experiência.


R: Quando o Neville deixou de dublar foi uma surpresa bastante desagradável para nós, que convivíamos com ele. Um dia, entro no estúdio, era Jornada nas Estrelas e o diretor me manda dublar o McCoy. Tomei um susto. Disse que não ia dublar, quase discuti com o diretor, mas não teve jeito...: comecei a dublar o médico da nave espacial Enterprise.
Dublei, ao final, dois anos da série, depois não teve mais. Foi, sem dúvida, o trabalho mais marcante que tive em dublagem. Jornada das Estrelas foi um marco na história de séries para TV. Pode até ser que façam alguma coisa mais inteligente, mais dinâmica, mais variada, com melhores personagens e melhores histórias, mas eu tenho minhas dúvidas.




6 - O que representa para você a perda da dublagem original de Jornada nas Estrelas ? Descaso ou crime contra a arte ?


R: Na época em que foi dublada a série, o processo era bem diferente. Havia o que chamamos de magnético e o som captado em magnetico era depois aplicado diretamente na película. Com o tempo, é claro, esse som ficava ruim e o som de Jornada nas Estrelas ficou péssimo. Alguma coisa tinha que ser feita e, lógico, a série inteira foi redublada.
Nesse meio tempo, eu João Angelo, dublador do Dr McCoy envelheci e o Mccoy continuou tendo a mesma idade da época em que foi dublado por mim.
Não gostei nem um pouco da redublagem mas sou obrigado concordar que era o que tinha que ser feito. Me parece que foram guardadas algumas cópias da antiga dublagem da série.


7 - E o Murdoch Lancer ? Foi difícil substituir o Vaccari ?


R: O Vaccari e eu fomos bastante amigos e foi uma honra para mim substituí-lo no Murdoch. Não foi dificil, não.



8 - Naquela época, todos dublavam juntos. Você participou dublando convidados especiais em Daniel Boone, Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar e em filmes. Há algum caso engraçado ou curioso que tenha ocorrido ?


R: O que me lembro de mais engraçado na dublagem era o fato dos tradutores, na época, quando havia muito vozerio ou alguma fala solta, colocarem em lugar de texto apenas...: ad libitum. Ou seja...: à vontade. E os principiantes não tinham menor dúvida, falavam o Ad libitum com todas as letras e, é claro, o diretor ficava possesso, porque tinha que dublar novamente!


9 - A maioria dos dubladores considera que atualmente dublar sozinho houve uma certa perda de emoção e interpretação. Você concorda ? Por quê ?


R: Sem a menor sombra de dúvida houve uma perda muito grande. Acontece que o dublador, como todo artista, é extremamente vaidoso. Antigamente, quando iam todos juntos para a estante existia uma disputa bastante saudavel para mostrar quem era o melhor. Um dublador dava uma inflexão boa e o outro queria dar uma melhor e o terceiro outra melhor ainda. Hoje não, hoje o que interessa é a velocidade: quanto antes terminar, melhor.


10 - Depois do encerramento da AIC, você participou de programas na TV Cultura e em algumas novelas da TV Tupi. Como foi essa experiência ?

R: Eu ja havia trabalhado em TV antes de ir para a dublagem e sempre me agradou muito esse tipo de trabalho. Mas depois, por minha opção, acabei desistindo de televisão e fiquei só na
dublagem e no setor de áudio.


11 - O que representou para você, como profissional a AIC, e para a história da dublagem brasileira ?


R: A AIC foi a escola de dublagem no Brasil. Por ali passaram muitos e muitos atores que foram deixando a sua marca. Pra citar apenas alguns: Lima Duarte, Laura Cardoso, Dênis Carvalho (que, por sinal, foi o segundo capitão Kirk). Podemos dizer que a AIC foi o celeiro.


12 - Do que você sente mais saudades daquele período ?


R: O que mais me deixou saudade daquela época é que nós faziamos questão de qualidade. Um queria ser melhor do que o outro e isso fazia crescer a dublagem. Hoje não, hoje o que importa é o ganho. E a outra coisa é que na época nós éramos mais boemios e nossas noitadas era famosas.


13 - Atualmente, quais são as suas atividades profissionais ?

R: Continuo, basicamente, fazendo as mesmas coisas que fazia antes. Somente dublagem diminuiu, mas quanto ao resto... tudo bem.


14 - Deixe uma mensagem para os teus milhares de fãs espalhados pelo Brasil que continuam a admirar o teu trabalho.


R: Aí você me pegou Marco Antônio. Não sei o que dizer. Mas vai lá: continuem gostando de dublagem, pessoal!
Um grande abraço e o meu muito obrigado pelo interesse, Marco Antônio.

J. Angelo



***AGRADECEMOS A JOÃO ANGELO POR ESTE PEQUENO DEPOIMENTO, O QUAL SÓ FOI POSSÍVEL ATRAVÉS DA INTERMEDIAÇÃO DO AMIGO MAURÍCIO CAMPOS***



**Relembrando João Angelo dublando o personagem Dr. McCoy em Jornada nas Estrelas:
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**Marco Antônio dos Santos**