18 de novembro de 2014

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (25): A FEITICEIRA / PARTE 3


** Personagens que encantaram várias gerações **

Após os problemas da 5ª temporada, causados pela doença de Dick York, os produtores decidiram que, realmente, ele não teria mais condições físicas de continuar no elenco.
Primeiramente, houve até a ideia da série ser cancelada, mas ainda mantinha uma boa audiência.

Sendo assim, o ator Dick Sargent foi convidado para ser o novo "James Stephens". Uma curiosidade é que durante as férias, a emissora reprisou somente os episódios em que Dick York não participa na 5ª temporada. Talvez, uma forma de introduzir um novo ator para um personagem tão carismático.


Sargent havia sido um dos nomes cogitados desde o início da série para ser o marido de Samantha, porém estava preso a um contrato com outro estúdio que o impediu totalmente. Desta feita, pôde aceitar o personagem. Infelizmente, o público efetuou muitas comparações entre os dois atores, mas Dick Sargent imprimiu uma nova forma de interpretar James, a qual também tem toda uma caracterização de outro humor.

Seja como for, a 6ª temporada conseguiu manter ainda a audiência, principalmente criando a personagem Esmeralda (uma empregada totalmente desastrada em seus feitiços), além de episódios hilários com a prima Serena, tio Arthur e a chegada do irmãozinho de Tábatha: Adam.
 A 6ª temporada de A Feiticeira alcançou a 24ª colocação, com uma média de 20.6 pontos.



Segundo estudiosos da série, nesta temporada, houve roteiros muito bem escritos que resultaram em alguns episódios, praticamente do mesmo nível das temporadas anteriores, como: "Atrações e Traições", "Já Ouvi Isso em Algum Lugar", "A Feiticeira Devoradora", " Segredo Revelado "," Os Encantos do Bebê "," Sinto-me um Super-Homem ", além de" O Espírito Natalino ", um dos episódios de Natal mais queridos do público de A Feiticeira.

** Obs> Os Títulos dos episódios estão de acordo com a dublagem da AIC.

A 7ª temporada de A Feiticeira foi lançada em 24/09/1970 e tinha como objetivo dos executivos da ABC, melhorar a audiência da série, a qual já vinha sendo abalada desde meados da 6ª temporada.
Críticos americanos, especialistas na série, apontam que o público não havia conseguido compreender o tipo de humor que Dick Sargent fazia, preferindo ao de Dick York.

O fato é que Dick Sargent jamais deveria ser comparado, uma vez que interpretou um James Stephens, de uma maneira mais sutil, mas que conseguia também demonstrar o lado de contrariedade, de fazer rir de outra maneira, sem copiar o modelo de Dick York, o que poderia transformar a interpretação de Sargent caricata.

Infelizmente, o público sempre fez a comparação entre os dois atores e, até hoje, há as pessoas que preferem um ou outro como marido de Samantha. Segundo os especialistas, este fato ocorreu em todos os países em que A Feiticeira foi exibida, mas a pressão da audiência nos Estados Unidos, era o termômetro da Rede de Televisão.


Os roteiristas a fim de dar um novo fôlego à série, criaram os 8 primeiros episódios da temporada fora da casa de Samantha e James. Assim, eles viajam para Salém e lá surgem diversas situações embaraçosas para todos, uma vez que Endora, Serena, Esmeralda e o próprio Larry Tate aparecem por lá.

Os demais episódios já começaram a se distanciar daqueles que o público estava acostumado e, com exceções raras, poucos ainda tiveram a linha mestra que sempre norteou os roteiros de A Feiticeira.

A 8ª e última temporada da série foi lançada em 15/09/1971 e iniciou com a perspectiva de até de que não fosse realizada.
Ao final da 7ª temporada, com baixos índices de audiência, Elizabeth Montgomery queria que A Feiticeira terminasse. Ela se declarava muito cansada e queria partir para novos projetos para o Cinema.

Além disso, Liz e os próprios roteiristas e alguns diretores alegavam que, praticamente, já tinham criado de tudo para as bruxarias que a série utilizava e todos se mostravam cansados, pois estavam juntos desde 1963, quando filmaram o piloto.


Entretanto, a Rede ABC não aceitava o final da série, pois A Feiticeira ainda possuía alguma audiência, o que ainda valeria realizar a 8ª temporada.

Especialistas americanos na série apontam dois equívocos graves da ABC:
"O primeiro é que A Feiticeira ficou durante muitos anos entre as dez séries mais líderes de audiência nos Estados Unidos e que estar muito distante do 30º lugar era preocupante.

O segundo argumento é que os anos 60 terminaram, e com eles as séries que marcaram época com ficção e fantasia.
 Já, em 1971, o público estava preferindo outro tipo de programação como "Mary Tyler Moore", onde se tocava na emancipação da mulher, ou "Columbo", "Mash", "Tudo em Família" e outras que partiam da realidade do público americano."

Nenhum argumento convenceu a Rede de Televisão e , baseados ainda em contratos, todos foram obrigados a realizar a 8ª temporada, mas que seria a última, uma vez que o contrato de Elizabeth Montgomery terminaria ao final e, ela não o renovaria.


Os roteiristas procuraram novamente criar enredos diferentes e decidiram, nos 7 primeiros episódios, realizar uma viagem à Europa para James e Samantha, mas sempre acabavam envolvidos em confusão devido a alguma bruxaria.

No retorno da viagem, ainda foram criados roteiros regulares, porém perto do final da temporada, os roteiristas se limitaram a refazer episódios de antigas temporadas, alterando as personagens, mas sendo um claro "revival".

Sempre, antes de iniciar cada episódio, há uma pequeno prólogo, no qual a personagem Samantha diz: "Olá, eu sou Elizabeth Montgomery, fiquem ligados em A Feiticeira" e depois desaparece.
A retirada dos vizinhos Abner e Gladys Kravitz foi outro equívoco, que prejudicou muito o lado hilário da série.

Devido a esses fatos, a 7ª e 8ª temporadas de A Feiticeira foram aquelas que amargaram os piores índices de audiência, infelizmente por uma total inflexibilidade de executivos de tv, sequer constam das 30 séries mais assistidas no período.

Devemos salientar que, os baixos índices de audiência das duas últimas temporadas, não foram consequência da atuação de Dick Sargent.
Caso Dick York ficasse até o término da série o mesmo ocorreria, pois houve uma falta de percepção da Rede ABC de que o gênero estava se esgotando e o interesse do público era outro no início da década de 1970.

** Alice Ghostley: a empregada atrapalhada Esmeralda **

** ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE A SÉRIE **

1 - No Episódio "Arrasando a Concorrência", 4ª temporada, temos cenas em flashback do primeiro episódio da série. É a única vez que isso ocorre (cenas em reprise).

2 - Os episódios de cunho histórico-cultural sempre estiveram presentes em datas comemorativas retratando os Estados Unidos, como o Halloween e o Dia de Ação de Graças, e personagens históricos mundialmente famosos, como Benjamin Franklin e Leonardo da Vinci.  Na 3ª Temporada temos o duplo "Benjamin Franklin, o Eletricista" / "Samantha, a Defensora", "Artes e Artimanhas" e "A Vitória de Tia Clara".
Já na 4ª temporada há "O Sorriso indecifrável" e "Um Verdadeiro Dia de Graças". Na 5ª Temporada temos "Bolo à Napoleão"

3 -Questões sociais também estiveram presentes nos episódios "Uma Verdade Salgada" (5ª temporada), "Uma Corrida e Duas Vitórias" (3ª) e "Julgamento de Uma Feiticeira" (3ª).



 4  - Em "Sinto-me Um Super Homem", 6ª temporada, Samantha cita "A Noviça Voadora", exibida na mesma época. 

5 - A série contou com diversos quadros de pintores renomados utilizados na cenografia. Os mais conhecidos foram "Uma menina com uma vassoura" de Rembrandt, ainda havia quadros de Picasso, Modigliani e Van Gogh. Até Samantha dava suas pinceladas e Louise Tate também virou tema de pintura.

6 - Na vida real, a atriz Marion Lorne (Tia Clara), tinha mesmo uma coleção de maçanetas. Isso foi confirmado por Elizabeth Montgomery numa entrevista que ela deu a uma estação de Rádio americana.
Nessa mesma entrevista, ela destacou o quanto Marion tinha de Tia Clara (ou Tia Clara tinha de Marion), e que ela costumava visitá-la em sua casa.
Marion Lorne foi indicada ao Emmy em 1968, na categoria melhor atriz coadjuvante de série cômica, mas faleceu 10 dias antes da cerimônia realizada em 19 de maio de 1968. Venceu, e Elizabeth Montgomery recebeu o prêmio em seu nome.


**EPISÓDIOS DE NATAL**

A Feiticeira, em suas 8 temporadas, produziu 4 episódios que possuem a comemoração do Natal, os quais foram exibidos na semana dos festejos natalinos.

Na 1ª temporada o episódio "O Lado Bom da Ilusão", com a participação de Billy Mumy (antes de ingressar na série Perdidos no Espaço), obteve uma enorme audiência mostrando como os órfãos são, muitas vezes, esquecidos nessa época.
O episódio foi introduzido e exibido na 2ª temporada, no período de Natal, por dois motivos: a audiência garantida e ganhar tempo para o retorno de Elizabeth Montgomery após seu mais recente parto.

Na 4ª temporada o episódio "Papai Noel Existe", traz a história de um idoso avarento e amargurado, o qual não suporta mais o Natal. Com a ajuda de Papai Noel, Samantha consegue recuperar os sentimentos escondidos dentro desse cliente de James e, a partir daí, passa ser um ser humano muito melhor.


Na 6ª temporada o episódio "O Espírito Natalino" foi também líder de audiência e é sempre o mais lembrado pelos fãs americanos. Os roteiristas conseguiram misturar as atrapalhadas de Esmeralda com Papai Noel e também com a sra. Kravitz. Além disso, o bebê Adam também participa. Mas, o encerramento do episódio é o mais emocionante, pois Samantha diz "de todos nós, para todos vocês, um Feliz Natal", e a câmera vai dando close na janela com a neve caindo e mostrando uma família feliz com o espírito natalino.

Na 7ª temporada o episódio "Mágicas em Preto e Branco" tentou mostrar a irracionalidade do preconceito racial. Infelizmente, tanto a crítica quanto o público não o compreenderam na sua essência e acharam que o problema do preconceito racial (tema muito forte no final dos anos 60), foi abordado de forma muito infantil.
O roteiro mostra Tábatha deixando manchas brancas em sua amiguinha negra e negras nela própria, uma clara demonstração de que somos todos iguais, porém o episódio não teve receptividade.
Somente hoje, já distantes no tempo dos conflitos raciais americanos, é que os próprios pesquisadores da série mencionam que este episódio foi mal interpretado, mas devido ao conflito racial do período nos Estados Unidos.



**OS ATORES DE A FEITICEIRA**

A série reuniu, em seus 50 anos de existência, milhares de fãs pelo mundo.
 Os países onde A Feiticeira fez mais sucesso são: 1º Estados Unidos, 2º Brasil, 3º França, 4º Itália, mas teve também uma enorme receptividade nos países de língua espanhola do continente americano, sobretudo, no México.



Os atores são queridos por todos os seus fãs e, é lógico, todos gostariam ainda de poder entrevistá-los, fazer reuniões de fãs sobre a série, mas praticamente todo o elenco já partiu daqui para brilharem nos céus.
Embora isso seja uma decorrência natural de nossas vidas, todos serão eternos, pois o trabalho deixado acabou sendo uma obraprima da tv americana da década de 1960.

Relacionamos, por ordem cronológica, os nomes de cada ator que faleceu, a data e com qual idade.

**ALICE PEARCE (1ª sra. Kravitz), em 03/03/1966, aos 48 anos.

**MARION LORNE (Tia Clara), em 09/05/1968, aos 84 anos.

**AGNES MOOREHEAD (Endora), em 30/04/1974,  aos 73 anos.

**ROY ROBERTS (2º pai de James), em 28/05/1975, aos 69 anos.

**GEORGE TOBIAS (Abner Kravitz), em 27/02/1980, aos 78 anos.

**PAUL LYNDE (Tio Arthur), em 10/01/1982, aos 55 anos.

**MABEL ALBERTSON (Phyllis, mãe de James), em 28/09/1982, aos 81 anos.

**MAURICE EVANS (Maurice), em 12/03/1989, aos 87 anos.

**DAVID WHITE (Larry Tate), em 27/11/1990, aos 74 anos.

**DICK YORK (1º James), em 20/02/1992, aos 63 anos.

**ROBERT SIMON (1º pai de James), em 29/11/1992, aos 83 anos.

**DICK SARGENT (2º James), em 08/07/1994, aos 64 anos.

**ELIZABETH MONTGOMERY (Samantha), em 18/05/1995, aos 62 anos.

**IRENE VERNON (1ª Louise Tate), em 21/04/1998 aos 76 anos.

**SANDRA GOULD (2ª sra. Kravitz), em 20/07/1999, aos 82 anos.

**KASEY ROGERS (2ª Louise Tate), em 06/07/2006, aos 80 anos.

**ALICE GHOSTLEY (Esmeralda), em 21/09/2007, aos 83 anos.

**SOL SAKS (criador da série), em 16/04/2011, aos 100 anos.

**WILLIAM ASHER (principal diretor da série), em 16/07/2012, aos 90 anos.



Atualmente Bernard Fox (Dr. Bombay) está com 87 anos.
As irmãs gêmeas Erin e Diane Murphy (Tábatha) estão com 50 anos.
Os irmãos gêmeos David e Greg Lawrence (Adam) com 45 anos.


** BEWITCHED FOREVER ** 

A série teve o mérito de possuir fãs desde a década de 1960 até os dias de hoje. Jovens que assistiram, pela 1ª vez, no início do século XXI, acabaram se encantando também. São jovens de 18 a 30 anos de idade e que criaram comunidades sobre a série no extinto Orkut.

Aqui, temos uma declaração de um jovem, com menos de 25 anos, sobre o que representa A Feiticeira para ele e, certamente, para todos os fãs !!



 "A Feiticeira" é, e sempre será imortal e atemporal, capaz de nos entreter, divertir ou mesmo nos fazer refletir com as mais variadas questões:
 O amor verdadeiro simbolizado por Samantha e James, as implicâncias de Endora com o genro, a esperteza de Tábatha, a bisbilhotice da hilária Gladys Kravitz, a incredulidade de Abner Kravitz,  as estripulias e maluquices de Serena, os esquecimentos e desacertos de Tia Clara, a super-proteção de Phyllis, a tranquilidade de Frank, as piadas de Tio Arthur, a ganância de Larry Tate, a amizade de Louise Tate, as trapalhadas de Esmeralda, o cavalheirismo de Maurice, as extravagâncias de Dr. Bombay ou mesmo as dúvidas se Adam é ou não um bruxo.
 Tenho certeza de que tudo isso e muito mais, sempre estará em nossa memória e que sempre será um entretenimento rever os 254 episódios em nossos dvds.
Muito obrigado por tudo! E que, mesmo 50 anos depois, "A Feiticeira" continua conquistando e unindo pessoas ao redor do mundo!

**Thiago Moraes**

**A DUBLAGEM DA AIC**

As três últimas temporadas de A Feiticeira mantiveram a mesma qualidade que já havia se desenvolvido nas temporadas anteriores, porém Olney Cazarré enfrentou algumas dificuldades:


1 - A dublagem da 6ª temporada iniciou em 1970 e, devido à mudança do marido de Samantha para Dick Sargent, o diretor de dublagem da série (Olney Cazarré), escalou Osmiro Campos para a dublá-lo, porque a forma de interpretar James se adequava muito bem com a voz, o timbre e a interpretação de Osmiro Campos.


De fato, a dublagem do ator Dick Sargent foi extremamente bem cuidada, um excelente trabalho. 

Para a nova personagem, Esmeralda, Olney Cazarré escalou Sandra Campos que sempre brilhava com seus personagens.



2 - Tudo corria bem até o início do 2º semestre daquele ano quando a crise econômica na AIC começa se agravar e, muitos dubladores, começam a procurar novas formas de trabalho: no Teatro, Televisão, Cinema e no estúdio Odil Fono Brasil.

Assim, próximo dos últimos episódios da 6ª temporada, Osmiro Campos deixa a AIC definitivamente. A saída encontrada foi o próprio Olney Cazarré retornar a dublar o personagem, porém se observa claramente o seu novo "jeito" de dublar James, totalmente oposto quando dublava o ator Dick York.


Outros fatos que foram enfrentados: a saída de Waldyr Guedes para tratamento de saúde. A alternativa encontrada foi deslocar Xandó Batista (que dublava Abner), para Larry Tate e escalar José Carlos Guerra para o personagem Abner.


Com a saída de vários dubladores, Sandra Campos era muito requisitada para a dublagem de filmes, sem tempo para as participações de Esmeralda. Assim, para substituí-la é escalada Yolanda Cavalcanti, uma radioatriz excelente que conseguiu imprimir uma qualidade extraordinária na dublagem da empregada atrapalhada.




3 - Mas os problemas continuaram na 7ª temporada, cuja dublagem se iniciou em meados de 1971. Um ano depois, a AIC estava com uma crise maior e poucos dubladores ainda faziam trabalhos no estúdio, o qual começa a entrar em sua decadência financeira.

Conforme o dublador Hugo de Aquino Júnior, "1971, é o ano que é considerado o início do declínio da AIC definitivamente".


Para manter a qualidade, Olney Cazarré conseguiu manter o mesmo elenco para os personagens fixos e contou com o retorno de Waldyr Guedes, que retomou o personagem Larry Tate, após a saída de Xandó Batista também da AIC.


O grande problema era encontrar vozes para os personagens convidados. Assim, os dubladores, nesta temporada, se repetem várias vezes, ou seja, ainda eram aqueles que acreditavam no estúdio e também pela amizade a Olney Cazarré.

Nesta temporada, temos diversas vezes Maria Inês, Gilberto Baroli, José Soares, Eleu Salvador, Turíbio Ruiz, Deise Celeste, Carlos Campanile, João Paulo Ramalho, José Miziara, Marcos Miranda e Roberto Marquis, principalmente.



4 - O agravamento da crise financeira foi aumentando rapidamente e a 8ª temporada teve o início da sua dublagem em meados de 1972.
Novamente Olney Cazarré, por seu profissionalismo, consegue convencer alguns dubladores a continuarem na série (mesmo demorando muito tempo para receber os aneis dublados).
 Segundo consta, a própria Rita Cleós só ficou devido à grande amizade com ele.

Entretanto, para os personagens convidados, há um verdadeiro exercício de convites, os quais muitos aceitaram por total admiração a Olney Cazarré.


Apesar de já ter sido realizada em meados de 1972, época em que muitos dubladores  já haviam saído da AIC, procurando opções em Televisão, Cinema, Teatro e nos estúdios Álamo e Odil Fono Brasil, a dublagem da 8ª temporada possui uma enorme qualidade.
Vejam este relato de Helena Samara sobre a dublagem da última temporada, dado a mim, em 1989:

 "Quando a série estava já no fim, por volta de 72 ou 73, foi a garra do Olney Cazarré que resultou num ótimo trabalho. Ele, como dublador e diretor da série, fazia um verdadeiro quebra-cabeças para escalar convidados. A AIC estava já profundamente debilitada financeiramente e, muitas vezes, surgiram alguns dubladores convidados por serem amigos do Olney, ajudá-lo, porque sabiam que demorariam muito para receber.
A Feiticeira chegou até o final com qualidade devido ao Olney Cazarré amar o personagem e, principalmente, a série que ele já participava há muitos anos."

OBS> Roberto Marquis confirmou esta declaração de Helena Samara recentemente, afirmando que foi, realmente, uma união para que Olney Cazarré conseguisse terminar a dublagem da série.

Dentre os dubladores escalados para os convidados, destacamos o retorno de Gessy Fonseca à AIC. A dubladora voltou a morar em São Paulo e, logo no início, dublou a bruxa Malvina. Esta dublagem nos remete à 2ª temporada de A Feiticeira, na qual dublou a personagem Endora, assim como a presença de Noely Mendes na série, uma vez que dublou a personagem Tia Clara na 3ª temporada.

Também temos a presença de Elaine Cristina, ainda pouco conhecida como atriz da Tv Tupi, assim como Sílvio Navas já fazendo diversas peripécias com a voz.


Apesar de todas as dificuldades apresentadas, inegavelmente, A Feiticeira manteve a qualidade da dublagem da AIC até o seu último episódio.

A Feiticeira foi a série mais longa dublada pela AIC (254 episódios) e, felizmente, apenas 4 perderam a dublagem totalmente:

"Os Três Desejos" da 2ª temporada.
"Como Desmanchar um Compromisso" da 5ª temporada.
"O Soluço Indiscreto" da 7ª temporada.
"Vivendo um Conto de Fadas da 8ª temporada.

Em suas 8 temporadas dubladas pela AIC, verifica-se uma qualidade exemplar de todos os dubladores envolvidos.

 Do 1º ao último episódio, com diversas alterações, encontramos a genialidade de Olney Cazarré, a excepcional dublagem de Rita Cleós, Helena Samara, Nícia Soares, Sérgio Galvão, Gervásio Marques, Waldyr Guedes, José de Freitas, Raymundo Duprat, Márcia Real, Gessy Fonseca, Marcelo Ponce, Rachel Martins, Amaury Costa, Xandó Batista, Isaura Gomes, Judy Teixeira, José Carlos Guerra, Sílvio Matos, Aliomar de Matos, Noely Mendes, Maria Inês, João Ângelo, Borges de Barros, Francisco Borges, Sandra Campos, Yolanda Cavalcanti, Osmiro Campos e de muitos outros excelentes dubladores, cujas vozes se eternizaram.


**PARABÉNS A TODOS QUE PARTICIPARAM DA DUBLAGEM DE A FEITICEIRA**


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DA 6ª TEMPORADA** 


*EPISÓDIO: "A FEITICEIRA DEVORADORA"

*Osmiro Campos dubla James e Sandra Campos dubla Esmeralda.*



*EPISÓDIO: "O ESPÍRITO NATALINO"

*Mário Jorge Montini dubla Papai Noel*


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DA 7ª TEMPORADA**

*EPISÓDIO: "QUERER NÃO É PODER"

*Neste episódio Olney Cazarré já dubla James novamente.

Além da maravilhosa dublagem de Isaura Gomes para a mãe de James, Eleu Salvador dubla o ator Robert Simon (pai de James), o qual retorna para o personagem*
Este é o último episódio da 7ª temporada.


*EPISÓDIO: "MORDENDO A ISCA"

*Asheley é dublado por Carlos Campanile e o cliente de James por Sílvio Matos.


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DA 8ª TEMPORADA**

*EPISÓDIO: "O ESPECTRO ROMÂNTICO"

*O fantasma é dublado por João Paulo Ramalho*


*EPISÓDIO: "A VERDADEIRA HISTÓRIA DA TORRE DE PISA"

*Esmeralda é dublada por Yolanda Cavalcanti e o Conde por Gilberto Baroli*


**Fonte de Pesquisa: "Twitch Upon a Star" de Herbio Pilato**
**Revistas TV Guide: set/1966, set /1969, set /1971**
**Acervo Pessoal**

**Colaboração: Thiago Moraes.

**Marco Antônio dos Santos**

18 de outubro de 2014

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (24): A FEITICEIRA / PARTE 2



Há 50 anos encantando fãs por diversos países.

A 3ª temporada de A Feiticeira alcançou o sétimo lugar na audiência americana, com uma média de 23.4 pontos.
 A 4ª temporada (lançada em 07/09/67) e a 5ª temporada (lançada em 26/09/68) alcançaram o décimo primeiro posto, com as médias de 23.5 e 23.3 pontos, respectivamente.

A 3ª temporada trouxe a grande audiência das duas primeiras. Além disso, a tv americana uniformizou, a partir do 2º semestre de 1966, que todas as produções fossem produzidas a cores.
Algumas séries, cujas audiências não estavam bem foram canceladas, uma vez que a tv a cores já havia entrado em operação desde 1959, sendo a série Bonanza totalmente produzida colorida desde essa data.

Com a chegada das cores na 3ª temporada, houve a necessidade de se aprimorarem novos efeitos especiais, assim os roteiros ficaram mais dinâmicos e muito mais feitiçarias puderam ser realizadas.

Segundo os pesquisadores e estudiosos americanos sobre a série,  todos são praticamente unânimes que a 3ª, 4ª e 5ª temporadas foram o auge de A Feiticeira em diversos aspectos:



 "Com as cores e mais efeitos especiais, os roteiristas puderam criar enredos muito criativos e adicionaram mais personagens, mais parentes de Samantha surgindo com diversas bruxarias.
Tanto Elizabeth Montgomery como Dick York fixaram de vez uma química entre seus personagens, além da fantástica presença de Agnes Moorehead.
Há episódios extremamente bem escritos e cativantes com a presença de Tio Arthur, os pais de James, as atrapalhadas de Tia Clara, a presença de Maurice, o surgimento de um médico feitiçeiro (Dr. Bombay) e a participação, cada vez maior da prima Serena (personagem que Elizabeth Montgomery adorava interpretar).
Tábatha se revela uma bruxinha e começa a causar problemas também para os pais.



 Além desta galeria, havia a presença constante de Endora, os problemas com Larry Tate e os vizinhos Gravitz ganham mais espaço dentro dos roteiros"

"É difícil determinar quais episódios foram melhores, pois quase todos seguiram a mesma linha, mas sem dúvida há alguns muito hilários como: "Bruxas e Feiticeiros são o meu fraco", "A Vaca Leiteira", "A Vingança do Feiticeiro", "A Pipoca Encantada", "O Julgamento de uma Feitiçeira", "O Amuleto", enfim seria uma longa lista".

"As duas primeiras temporadas, apesar de terem obtido uma audiência maior, foram como um "grande laboratório" e alavancaram os melhores episódios de A Feiticeira."

OBS> Os títulos dos episódios foram traduzidos de acordo com a dublagem da AIC.
             

Para a elaboração dos novos roteiros, houve uma diversidade de situações, a fim de se evitar a repetição de um mesmo convidado, com exceção de Endora, que era do elenco fixo da série.

Como parte de concepção da série, Samantha teria uma mãe, que simplesmente repudiaria seu casamento com o pobre mortal. Endora foi responsável por diversos feitiços sobre James, deixando-o sempre em situações muito embaraçosas, mas no episódio "A Estranha Doença", fica claramente demonstrado que Endora seria uma sogra muito pior sem os seus feitiços, a ponto de James querer chamar um táxi para que a levasse.


 Os Stephens tinham um casal de vizinhos – Abner e Gladys Kravitz (George Tobias e Sandra Guold).
Abner vivia como um aposentado – ora vendo TV, ora lendo jornal – enquanto que Gladys dedicava boa parte de seu tempo a bisbilhotar a vida dos outros. Gladys Kravitz via a todas as bruxarias, mas era tida como "desequilibrada" por Abner, o que sempre rendia boas gargalhadas.


 Como Samantha vinha de uma família de feiticeiros, há que se registrar também a criação dos personagens que em verdade eram seus parentes.

Assim sendo, desenvolveram os personagens de Tia Clara (Marion Lorne) que agora ganhou muito mais episódios rendendo grandes confusões, a personagem ainda estava um pouco tímida nas duas primeiras temporadas, mas com novos roteiros as confusões ganharam um grande porte. Tia Clara era uma bruxa com muita idade e isso fazia com que suas mágicas não funcionassem a contento.


 Maurice - pai de Samantha (Maurice Evans), era divorciado de Endora e adorava fazer citações teatrais, uma situação avançada para a época (pais separados numa série de tv), mas que com as bruxarias ficava um pouco despercebida e a censura americana acabou não se importando.


 Com o decorrer da série a família de bruxos revelou também ter um médico especialista. Tratava-se do Dr. Bombay, vivido pelo ator Bernard Fox. Foi criado para um episódio da 3ª temporada e acabou ficando até o término da série, sempre suas curas trazendo um efeito colateral pior.


Vale ainda lembrar que o ator Paul Lynde (tio Arthur) já havia participado, como tio de Samantha, num episódio da 2ª temporada, mas foi ganhando mais espaço nos episódios seguintes. Segundo a crítica americana, Paul Lynde teria participado de apenas 11 episódios, mas a sua atuação foi tão marcante que nos parece que esteve em muito mais episódios.


Por fim, Samantha teria uma prima chamada Serena, interpretada pela própria Elizabeth Montgomery. Para interpretar a personagem ela usaria uma peruca com cabelos pretos. O primeiro episódio com Serena pertence a 2ª temporada da série, no qual nos parece que a personagem nunca mais voltaria. Mas foi a partir da 4ª temporada que Serena foi retornando cada vez mais, até o final da série, sempre com seu humor duvidoso, sarcástico e aprontando muita confusão, é lógico, para James.




Do lado da família de James Stephens foram desenvolvidos apenas os personagens de seus pais, vividos por Robert F. Simon e Mabel Albertson. Quando Robert F. Simon não estava disponível, era substituído pelo ator Roy Roberts.



Os roteiristas acabaram se concentrando mais na sogra de Samantha, Phyllis, devido a sua personalidade acabava sempre tendo "enxaquecas", após ver algum fato estranho. Além disso, havia uma certa concorrência com Endora, as quais sempre trocavam farpas entre si e, para piorar a situação, Phyllis tinha ciúmes de Frank com Endora !

**ALGUMAS CURIOSIDADES***

1 - A Feiticeira foi a 1ª série americana a mostrar um quarto com uma cama de casal (algo que era censurado até então). Entretanto a censura americana exigiu que as cenas, na sua grande maioria, fossem conversando, ou sempre se levantando da cama, assim como deveriam ser cenas muito curtas. O curioso é que para os vizinhos Kravitz a cama de casal não foi liberada, uma vez que já eram mais velhos do que o casal Stephens e não ficaria de bom tom esse tipo de cenário.

2 - O ator Bernard Fox (Dr. Bombay) em uma determinada cena, acabou queimando a sua calça, devido a uma explosão que mostrava a sua chegada na casa de Samantha. A fumaça era produzida por um pouco de pólvora, mas houve um equívoco e a quantidade colocada foi maior. O ator não chegou a ficar ferido, mas teve que trocar de figurino.

3 - No episódio "Um Poder Maior", da 5ª temporada, Serena e Tio  Arthur vão trabalhar numa fábrica de bananas carameladas e aprontam a maior confusão e sujeira com bananas e a calda de chocolate. Essa cena foi claramente baseada no episódio "Job Switching/Troca de Tarefas", o primeiro da 2ª temporada de "I Love Lucy" (1951-1957), onde Lucy (Lucille Ball) e Ethel (Vivian Vance) vão trabalhar numa fábrica de bombons e nos divertem com a incontrolável esteira que traz os doces. O diretor de ambos os episódios foi William Asher, um dos pais das duas séries.

**PROBLEMAS  SURGEM NO TRANCORRER DO 
SUCESSO**

1 - Em 05/09/68 a atriz Marion Lorne, que vivia a doce e atrapalhada Tia Clara, faleceu de um ataque cardíaco. O último episódio em que atuou pertence a 4ª temporada, "Gente do Outro Mundo" e foi levado ao ar em 18/04/68. Ao invés de substituírem a atriz por outra no mesmo papel, optaram por contratar Alice Ghostley no papel da também atrapalhada Esmeralda, mas isso só ocorreria a partir da 6ª temporada.

Dessa forma, na 5ª temporada, os roteiristas elaboraram mais episódios com Serena, mas perceberam que a ausência de uma personagem atrapalhada nas feitiçarias deixou uma grande lacuna, por isso, a partir da 6ª temporada entra Esmeralda, uma empregada que sempre errava em seus feitiços. 


2 - O maior problema da série foi a doença de Dick York.

Durante as gravações da 5ª temporada, Dick York começou a ter problemas mais sérios com relação a sua saúde. Em 1959, durante as filmagens do longa “Heróis de Barro”, ele se envolveu num acidente com um daqueles vagões sobre trilhos que serviam para transportar o minério em minas de extração.

Em cena, York ergue o vagão cheio de pessoas; em seguida o diretor encerra a tomada, mas York continua erguendo o vagão. O peso então cai sobre ele, e o ator sofre aí um rompimento dos músculos de todo o lado direito das costas, uma grave lesão que jamais o abandonaria, se transformando para sempre num sério problema de saúde e lhe trazendo dores e mais dores na coluna.

Agora, em 1968, o problema se agravara muito e York passava por fortes dores e dificuldades físicas. Episódios tiveram que ser reescritos sem a sua presença.

A saída encontrada pelos produtores da série para camuflar as ausências de York, foram eventuais viagens que ele fazia a trabalho, para a agência de publicidade McMann & Tate. No total, dos 30 episódios desta temporada, em 7 deles James não estave presente, sempre viajando.


Num dia do mês de dezembro de 1968, York gravava cenas do episódio “Teimoso Como Uma Mula”, um dos últimos da 5ª temporada. Sentindo fortes dores, no horário de almoço o ator foi ao médico e tomou uma injeção para aliviá-las. Ele não havia dormido bem na noite anterior e mal comera naquele dia. Voltando ao estúdio, havia uma cena onde York precisava ser suspenso sobre uma plataforma, ao lado de Maurice Evans. Porém, ao subir da plataforma, ele sente-se tonto e pede para descer. Enquanto a equipe baixava a plataforma, o ator desmaia para o espanto de todos no set, e é levado às pressas para o hospital. 

Depois do ocorrido, numa entrevista, York desabafou: “Aquele foi o pior dia da minha vida, porque pensei que havia falhado com todos. Esta foi a única coisa que comecei e não terminei. Me senti culpado, senti vergonha e deixei todos na mão”.

Ficou claro que o ator não tinha mais condições físicas para continuar na série, e foi decidido então o seu afastamento. A temporada seguinte (6ª), que estreou 5 meses após o fim desta, trouxe um novo ator interpretando James – a escolha foi Dick Sargent, que seguiu com o personagem pelos três próximos anos.

**A DUBLAGEM DA AIC**

 O final da dublagem da 2ª temporada ocorreu no 1º semestre de 1966. A TV Globo não manifestou interesse em continuar com a sua exibição. Sendo assim, a TV Excelsior, praticamente líder de audiência em São Paulo, decidiu exibir a série novamente e adquiriu os direitos da 3ª temporada.

A dublagem da 3ª temporada começou bem no início de 1968 e, enquanto isso, eram exibidos os episódios das duas primeiras.

Devido ao intervalo de tempo, agora se encontra uma outra situação dentro da AIC: Older Cazarré é o novo Diretor Artístico do estúdio e, segundo palavras de Helena Samara, foi ele quem a escalou para dublar Endora definitivamente, uma vez que Gessy Fonseca havia se transferido para o Rio de Janeiro.




Segunda a dubladora nos confessou, ele disse a ela: "Agora você vai dublar uma sogra daquelas, uma bruxa mesmo, que atormenta o genro, bem distante da Wilminha de Os Flintstones"


Older Cazarré tentou uniformizar os dubladores para os personagens de James e Endora e também para os que estavam surgindo. Como Sérgio Galvão e Gervásio Marques estavam com outros projetos particulares, Older apostou em seu irmão mais novo Olney Cazarré, o qual fez uma dublagem brilhante do personagem.

Olney Cazarré tendo a mesma veia artística de seu irmão, ingressou na AIC em 1964, ainda com 19 anos de idade, dublando pequenos personagens em desenhos e atores convidados. Percebendo a sua extraordinária competência, Older Cazarré tinha como meta que além de dublar James, ele também começaria a dirigir a série e foi com a 3ª temporada o seu aprendizado.

 Já a partir da 4ª temporada, Olney Cazarré era ofialmente o diretor de dublagem de A Feiticeira, além de dublar James e outros personagens em desenhos, filmes e convidados em séries.



Dessa forma, Rita Cleós (que já havia começado em meados da 2ª temporada), Helena Samara e Olney Cazarré nos proporcionaram um trio de extrema qualidade, algo que se destacou muito na série. Conforme Helena Samara afirmou, "eles ficaram totalmente interligados e sempre trocaram ideias para melhorar a dublagem como um todo".
O público, devido às temporadas em preto e branco terem desaparecido durante cerca de 40 anos, se habituou extremamente com essas vozes para os personagens principais.

Older Cazarré também escalou João Ângelo para Maurice, Sílvio Matos para Tio Arthur, Noely Mendes para Tia Clara, Aliomar de Matos para Tábatha e manteve Waldyr Guedes para Larry Tate, embora na 3ª temporada este tenha se afastado por um período, a fim de se dedicar a participação de um filme, mas este personagem sempre o recebeu de volta.

Raymundo Duprat o substituiu por um período até que Waldyr Guedes retornasse.



Além disso, permaneceram a excelente dublagem de Isaura Gomes e Xandó Batista para os vizinhos Gravitz e Judy Teixeira para Louise Tate.

Olney Cazarré , na 4ª temporada, efetuou pequenas alterações, como por exemplo, escalar a própria Isaura Gomes para dublar a mãe de James (Pyllys), com uma voz empostada, ninguém naquela época imaginaria que também dublava a sra. Kravitz, um trabalho magnífico desta excelente dubladora.




Outra inovação de Olney Cazarré foi quanto à voz da prima Serena de Samantha.  Observando que a personagem sempre tinha um tom de superioridade, um tanto arrogante, pediu para que Rita Cléos desse uma empostação arrogante a voz, algo que, definitivamente, marcou a personalidade de Serena em contraponto com a de Samantha.


**CURIOSIDADE SOBRE UMA TRADUÇÃO**

A própria Rita Cleós foi a tradutora do episódio "O Verso e o Reverso", da 5ª temporada. Samantha, enfeitiçada, passa boa parte do episódio falando frases sempre rimadas. Porém, não haveria correspondência do inglês para o português – se a tradução tivesse sido feita ao pé da letra, literalmente, não haveriam as rimas em nossa língua. Rita Cleós então, numa jogada de mestre, criou várias frases rimadas, tendo o cuidado também de acompanhar a sincronia labial da personagem.



Aqui, reproduzimos uma entrevista com Rita Cleós, realizada em 18 de novembro de 1981, já postada neste blog, onde ela menciona o fato:


**Quando você assumiu a personagem Samantha, a rotina da sua vida mudou muito ?

R: Muito, completamente. Em primeiro lugar eu não tinha mais tempo para traduções, porque além de ter muitas cenas para dublar, eu ainda fazia novelas na Excelsior. De vez em quando outro diretor me escalava para algo, convidado em série, algum desenho (embora eu não gostasse de dublar desenhos) e, infelizmente,  dublei poucos filmes devido a isso tudo. Mas como a série foi muito longa, nós viramos uma família muito querida. Aprendi muito com o Olney, fantástico diretor, dublador e foi ele que me disse: " Rita essa voz da prima Serena não está boa, ela é toda diferente, a voz também deve ser, meio arrogante, um ar de superioridade". Eu nunca fui uma dubladora de fazer muitos falsetes e aí empostei a voz, dei risadas diferentes e ele achou ótimo. Mas todos que participaram estavam com muita dedicação, tenho saudades quando vejo na tv algum episódio.


**Algum fato interessante marcou a dublagem de A Feiticeira ?

R: Sim ! Eu traduzi um episódio da série. E foi um grande desafio. O Olney já havia assistido em inglês, viu o texto e me procurou dizendo: eu acho que só você consegue traduzir isto. Era uma história onde Samantha fica com uma doença e os sintomas são falar rimando. Não havia como fazer quase nada de correspondência entre as línguas. A minha sorte é que no episódio citavam que as rimas eram muito pobres, fracas. Aí, começei a fazer essas frases rimadas e algumas foram muito ruins, mas ficou engraçado. Eu me lembro que utilizei a palavra "tetéia" só para poder rimar com geléia e por aí foi.  Eu mesmo ria das rimas horríveis que criava...

**A dublagem de A Feiticeira é marcada por uma extrema qualidade !!


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS da 3ª TEMPORADA**

*EPISÓDIO: "Quando as feiticeiras discutem"

**Neste episódio, Sílvio Matos e Helena Samara desempenham um trabalho brilhante, além de Isaura Gomes como a fofoqueira sra. Kravitz**



*EPISÓDIO: "O Julgamento de uma Feiticeira"

**Neste episódio, temos a excelente dublagem de Noely Mendes para tia Clara, além de Sílvio Matos dublando o Juiz, Isaura Gomes para tia Encantha e Dulcemar Vieira para tia Hagatha.**



**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS da 4ª TEMPORADA**

**EPISÓDIO: "A VINGANÇA DO FEITICEIRO"

**Neste episódio, Rita Cleós e Olney Cazarré estão perfeitos. A dublagem ainda conta com Bruno Netto dublando o feiticeiro, além de Waldyr Guedes e Carlos Alberto Vaccari proporcionarem um show à parte.**



**EPISÓDIO: "O AMULETO"

**Neste episódio, James acredita que possui poderes mágicos e o seu comportamento se altera totalmente.
A dupla Olney Cazarré e Sílvio Matos nos dão uma "aula" de uma dublagem inigualável.**


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DA 5ª TEMPORADA**

**EPISÓDIO: UM PODER MAIOR"

**Neste episódio, o ator Dick York não participou, devido aos seus problemas de saúde.
Assim, o roteiro mostra Serena e Tio  Arthur indo trabalhar numa fábrica de bananas carameladas e aprontam a maior confusão e sujeira com bananas e a calda de chocolate. Essa cena foi claramente baseada no episódio "Job Switching/Troca de Tarefas", o primeiro da 2ª temporada de "I Love Lucy" (1951-1957), onde Lucy (Lucille Ball) e Ethel (Vivian Vance) vão trabalhar numa fábrica de bombons e nos divertem com a incontrolável esteira que traz os doces.


**EPISÓDIO: "TEIMOSO COMO UMA MULA"

**Este é o episódio em que Dick York desmaia e necessita ser socorrido para um hospital. 
A finalização somente ocorreria algum tempo depois.
Destaque para o dublador Sílvio Navas dublando Maurice, o pai de Samantha.**





**VEJA NA PARTE 3:


**Dick Sargent entra para interpretar James**
**Os problemas com a audiência**
**Algumas curiosidades sobre a série**
**Olney Cazarré e a dublagem de A Feiticeira**
**A série mais longa dublada pela AIC**


**COLABORAÇÃO: Thiago Moraes.

**Marco Antônio dos Santos**