10 de agosto de 2014

JAMES WEST E A AIC



Armado de um assistente e residindo dentro de um trem - dotado de uma locomotiva e quatro vagões cheios de truques - "James West" estreou nos Estados Unidos em 17 de Setembro de 1965.

Quando o heroi surgiu foi um choque: um cowboy de calça justa e sapato com salto falso, que escondia badulaques explosivos. A abordagem era a mesma de James Bond, só que num oeste cheio de mistério e aventura. Seu parceiro era um cavalheiro por excelência.
 Artemus Gordon era uma espécie de Dr. Watson de um Sherlock Holmes galã, que tinha um andar de quem caminhava com botas apertadas. O charme da série foi logo identificado pelo grande público, colocando-a entre as 20 mais vistas na temporada 1965/66 com uma média de 22 pontos na audiência (nenhuma das três temporadas posteriores atingiu novamente essa marca).

O título de cada episódio possuía o termo "The Night" (assim como em "O Agente da UNCLE" cada título possuía o termo "The ... Affair"). E antes de cada comercial a cena era congelada, se transformando num storyboard. E o que mais impressiona até hoje foi a audácia dos produtores em misturar engenhocas mecânicas num tempo em que aquilo não existia.




A exemplo de outras produções em início de carreira cujo sucesso era incerto, "James West" foi produzido inicialmente em preto e branco. O processo de cor era ainda muito caro para a época e só poderia ser utilizado em produções com resultado financeiro garantido. Por isso, os 28 primeiros episódios que compõem a primeira temporada foram filmados nesse formato.

O segundo ano da série estreou em setembro de 1966. O lamentável é que um mês antes da estreia dessa temporada, o produtor Michael Garrison faleceu ao cair do alto de uma escada em sua própria residência. A morte dele quase tirou o programa do ar, mas Bruce Lansbury insistiu na continuidade. Embora o episódio "The Night of The Golden Cobra" (A Cobra Dourada) tenha sido o primeiro a ser filmado em cores, o episódio de abertura da temporada foi "The Night of The Exccentrics" ("A Noite dos Excêntricos").

 Foi também a partir desta temporada que o ator Robert Conrad formou um time fixo de dublês, sob sua liderança. O episódio "The Night of the Vicious Valentine" ("A Perversa Valentina") - exibido em 10 de fevereiro de 1967 - rendeu a atriz Agnes Moorehead um prêmio Emmy. Agnes também participava da série de TV "A Feiticeira" (Bewitched – 1964/72), onde vivia a personagem Endora. Alguns episódios dessa temporada chegam a ser fantásticos, misturando também ficção, como volta no tempo, transporte feitos através de quadros e até discos voadores!





Para quem aprecia muita ação, a terceira temporada talvez seja a melhor das quatro. Há quem diga que é a melhor da fase colorida. Alguns episódios valem exclusivamente por isso e pela trilha musical, bastante acelerada e criativa. A estreia ocorreu em setembro de 1967. Robert Conrad e sua equipe de dublês chegaram a transformar um dos estúdios num ginásio com equipamentos de boxe. O ator gostava de fazer suas próprias cenas perigosas. O problema é que vez por outra alguém se machucava e a constante presença de uma ambulância na porta dos estúdios começou a preocupar os executivos de produção.

A quarta temporada da série estreou em setembro de 1968. Os problemas verificados nesta etapa superaram os anteriores. Durante as filmagens de "The Night of Araricous Actuary", Ross Martin quebrou a perna numa seqüência de duelo, sendo substituído por um dublê. Como consequência, Martin só pode ser filmado da cintura para cima nos três episódios seguintes. Durante as filmagens de "The Night of Fire and Brinstone" ("Fogo e Enxofre"), Martin passou mal e sofreu um ataque cardíaco que quase o matou. Os médicos chegaram a afirmar que ele não voltaria para o programa, já que tomava café em excesso e fumava quatro maços de cigarro por dia. O ator foi substituído por “parceiros convidados”.

Ao contrário do que muitos possam pensar, "James West" não acabou por problemas de queda na audiência. Em verdade, o governo americano estava iniciando uma campanha contra a violência na televisão e a série foi a bola da vez. Os assassinatos de Robert Kennedy e do líder negro Martin Luther King eram os ícones desse movimento. A ordem era diminuir cenas de luta, não utilizar instrumentos cortantes, não quebrar cadeiras nas costas de ninguém e usar revólver só em último caso, evitando–se ao máximo matar quem quer que fosse.




Com cenas perigosas feitas na base da coreografia, "James West" aos poucos começou a perder sua principal característica. Para piorar ainda mais esse quadro, Robert Conrad machucou seriamente o joelho durante uma sequência de luta no episódio "The Night of The Cossacks" ("Os Cossacos"), saindo do estúdio diretamente para o hospital, levado por uma ambulância. Após esse acontecimento e com toda a campanha feita pelo governo americano a Rede CBS decidiu cancelar o programa, que exibiu seu último episódio em no dia 11 de Abril de 1969.

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Os Vilões


Ao longo de sua carreira televisiva, James West enfrentou vários vilões. Mas dois deles marcaram época. O Conde Manzeppi – vivido pelo ator Victor Buono – e o Dr. Miguelito Loveless – vivido pelo ator anão Michael Dunn.

Buono atuou no episódio de estreia, vivendo um outro papel. Apareceu como o Conde Manzeppi em apenas dois episódios da segunda temporada. Era mágico, fazia de West e Gordon gato e sapato e fugia no final, abrindo assim precedente para uma nova aventura. Os exemplares em que atua são fantásticos e apresentam situações mais do que improváveis.


**Dr. Miguelito e James West**


O Dr. Miguelito Loveless é um caso à parte. Ele foi para James West o que o Prof. Moriarty foi para Sherlock Holmes. West nunca o pegou. O projeto de Loveless era sempre o de exterminar todos os homens do mundo que tivessem uma estatura maior que a dele. Sempre acompanhado por uma bela mulher, Miguelito respeitava West e este retribuía na mesma sintonia. Loveless foi tão marcante que apareceu em 10 dos 104 episódios que compõem a série.



**James West no Brasil**


A série estreou no Brasil em 05 de Abril de 1967, uma quarta-feira, as 22h, através da TV Excelsior Canal 9 de S. Paulo. A emissora na ocasião anunciava na imprensa que não iria reprisar um único episódio.

A receptividade, no entanto, não foi muito grande, já que o público da Excelsior estranhou um pouco a mescla de gêneros espionagem X faroeste.


 Em Janeiro de 1968 "James West" já estava na TV Tupi - emissora que exibiu a segunda temporada - mas só começou a ser notada de verdade a partir de 1970 quando a TV Bandeirantes começou a exibir o programa quase que diariamente  às 19h30.

 Naquela altura, a Bandeirantes havia adquirido o terceiro ano da série e o exibia em meio às reprises dos episódios que compunham a primeira e segunda temporadas. Vale dizer que até aí, todas as películas enviadas para o Brasil eram fornecidas em preto e branco, pelo fato do Brasil não possuir transmissões coloridas.




Em 1974, a mesma TV Bandeirantes adquiriu o lote de episódios da quarta e última temporada, exibindo-os todos os sábados, as 21h. O mesmo foi adquirido a cores pelo fato do Brasil já estar efetuando esse tipo de transmissão desde 1972. A mesma Bandeirantes providenciou, a seguir, os lotes coloridos do segundo e terceiro ano e começou a exibí-los  juntamente com os do quarto ano - de segunda à sábado, as 20h.

Foi nessa ocasião que praticamente todas as aberturas da segunda e terceira temporada foram refeitas pela Herbert Richers, mostrando o título original da série (até então era mostrado o título em português). Um detalhe que poucos conhecem é que o episódio "The Night of The Bogus Bandits" - "Os Falsos Bandidos" (último do segundo ano) fora totalmente redublado na ocasião pela Herbert Richers. No formato original de áudio e apresentação, foram mantidos apenas os episódios da primeira fase (em preto e branco), que na ocasião não foram merecedores de reprise.

Em 1978, "James West" voltou a ser apresentado com regularidade pela TV Bandeirantes, de segunda à sábado, às 19h30, com uma vantagem: os episódios coloridos da segunda, terceira e quarta temporadas, eram exibidos de segunda à sexta-feira e os episódios em preto e branco, da fase inicial, passavam aos sábados. E esta foi a última vez que o público brasileiro teve a oportunidade de assistir a esses primeiros episódios na TV aberta.

Na década de 1980 (mais precisamente em 1985/86) "James West" foi parar na TV Record, integrando o time de séries que eram apresentadas na famosa "Sessão Bang-Bang" (que exibia também "Bonanza", "Laramie", "Laredo" e "Chaparral"). Os episódios apresentados foram os coloridos da segunda, terceira e quarta temporadas.



**A Dublagem**


Os episódios em preto e branco da primeira temporada de "James West" foram dublados pela AIC. A 1ª temporada teve 28 episódios, mas o episódio nº 30  (A Cobra Dourada) veio junto no lote. Como, na época, não havia tv a cores no Brasil, nada foi percebido.

 Os estúdios responsáveis pela dublagem das três temporadas restantes foram, respectivamente, a TV Cinesom, a Dublasom Guanabara e a Herbert Richers, com alguma confusão na transição da segunda para a terceira e da terceira para a quarta temporada.


**1ª temporada dublada pela AIC**


 A explicação: toda a segunda temporada foi dublada pela TV Cinesom do Rio de Janeiro, mas notamos que alguns episódios do início da terceira temporada também foram dublados pela mesmo estúdio (como é o caso de "The Night of the Firebrand" - "A Marca de Fogo").


 O mesmo ocorre com a terceira temporada, que teve como estúdio de dublagem, a Dublasom Guanabara. Essa empresa responde também pela dublagem de alguns episódios do início da quarta temporada (como é o caso de "The Night of The Fugitives" - "Os Fugitivos").

 Acredita-se que isso deva ter ocorrido face o critério de distribuição de episódios adotada para o Brasil.

É curioso observar que na dublagem brasileira foi abolido o termo "The Night..." (A Noite...), que consta em todos os episódios da série. O mesmo fora aproveitado em raros episódios.



**Resumindo**


1 O episódio "A Cobra Dourada" (nº 30, do segundo ano, tem dublagem da AIC (estúdio que dublou a primeira temporada), pois este episódio já veio com a 1ª temporada.



2) O episódio "A Marca de Fogo" do terceiro ano, tem dublagem da TV Cinesom RJ (estúdio que dublou a segunda temporada).



3) O episódio "Os Fugitivos", do quarto ano, tem dublagem da Dublasom Guanabara (estúdio que dublou a terceira temporada).

4) Quando a série foi dublada pelo estúdio Herbert Richers houve uma uniformização na narração da abertura das temporadas coloridas.

Acredita-se que isso deva ter ocorrido face o critério de distribuição de episódios adotada para o Brasil.

É curioso observar que na dublagem brasileira foi abolido o termo "The Night..." (A Noite...), que consta em todos os episódios da série. O mesmo fora aproveitado em raros episódios, como no caso de "A Noite dos Excêntricos" e "A Noite de Diva".

A série chegou ao Brasil sendo distribuída pela CBS Filmes do Brasil (depois Viacom e agora Network).






  A dublagem das 4 temporadas ainda existe, porém com problemas que precisariam de recuperação (chiados, sons distorcidos e incubados). A Paramount não sinaliza lançamento em DVD no Brasil, tampouco recuperar a dublagem. Caso uma emissora queira transmitir, provavelmente, não conseguirá exibir os 104 episódios a não ser que opte pela legenda ou faça uma redublagem. 


**A COBRA DOURADA**


Com apenas este episódio, confirmamos a informação dos nossos arquivos, de que Neville George já havia dublado o personagem desde o início da série. Aliás, somente no estúdio TV Cinesom é que a voz de James West foi realizada por Alan Lima. Neville retornou para o personagem nos estúdios Dublasom Guanabara e Herbert Richers.

Waldyr Guedes foi o dublador de Artemus Gordon, o qual foi dublado por Ribeiro Santos nas temporadas dubladas pelos estúdios do Rio de Janeiro.

Há um fato muito interessante neste episódio com relação à abertura.
Na 1ª temporada, a moça da animação realizada, surge sempre com um punhal, o que foi mantido no episódio A Cobra Dourada.
Já em outras temporadas, a moça está com um guarda-chuva e depois beija o cowboy.


**Abertura / 1ª Temporada**




**Abertura / Temporadas coloridas**


Neste episódio, temos como convidado especial o ator Boris Karloff que nos brinda com toda a sua experiência.


Em "A Cobra Dourada", temos os seguintes dubladores para os convidados:


*José Soares para Boris Karloff.


*Carlos Alberto Vaccari, Rebello Neto e Emerson Camargo dublam os 3 irmãos.

*Wilson Kiss dubla o Coronel.

*Osmar Prado dubla um índio.

*A única atriz convidada é dublada por Myrtes Grissoli.

 Radioatriz que fez pouquíssimas dublagens, porque não se adaptou. Muitos radioatores e também atores de tv tentaram o caminho da dublagem, porém não conseguiram se integrar a esta Arte.

*O título do episódio é narrado por Oswaldo Calfat.



**Infelizmente, esta dublagem de James West tende a desaparecer com o decorrer dos anos, caso não haja uma recuperação total do áudio, algo que nunca interessa muito ao estúdio e à distribuidora !!



**VAMOS REVER A DUBLAGEM DA AIC EM "A COBRA DOURADA" **



**PARTE 1 /

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**PARTE 2 /

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*Colaboração: Edson Rodrigues.


**Marco Antônio dos Santos**

31 de julho de 2014

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (03): I LOVE LUCY




I Love Lucy foi uma série de TV no formato de uma sitcom, baseado num programa de rádio estrelado pela Lucille Ball e Richard Dennig chamado "My Favorite Husband".

 I Love Lucy foi apresentado originalmente de 15 de outubro de 1951 até 6 maio de 1957, nos Estados Unidos, pela rede CBS, num total de 180 episódios em 6 temporadas.

Quando o programa chegou a televisão Richard Dennig, que trabalhava na Rádio com Lucy, queria interpretar o papel do marido de Ball, mas ela fez questão que ele fosse interpretado pelo seu marido, o cubano Desi Arnaz. Inicialmente, os produtores não acreditavam que daria certo, devido ao sotaque carregado de Arnaz e também por eles acreditarem que o público não iria aceitar o "casamento inter-racial" entre Lucille e Arnaz.

Arnaz permaneceu fazendo o papel de Ricky até o fim, contribuindo também com sugestões de roteiro e músicas para a série. Willian Frawley e Vivian Vance também participaram, no papel dos inesquecíveis vizinhos Fred e Ehtel Mertz. IA princípio o título do programa era para ser "Lucy & Richy", pois a CBS não queria ter o nome de Arnaz no título, mas depois de negociações Arnaz concordou com o título I Love Lucy, já que ele seria o "I".



O programa foi filmado na Desilu, um estúdio cujos donos eram Lucille Ball e Desi Arnaz. O sucesso imediato da série se deve a uma ideia simples, mas que marcou uma época: pela primeira vez, o cotidiano das famílias da classe média americana era retratado na televisão. O foco era a rotina de Lucy, uma dona de casa que leva o marido à loucura com suas trapalhadas.

O que tornava cada episódio especial, era a incrível atuação de Ball e sua capacidade para fazer qualquer um rir. Some-se a isso o fato de que a atriz insistia em atuar com seu marido verdadeiro, Desi Amaz. Os episódios eram filmados ao vivo, a pedido do próprio Arnaz. Três câmeras eram usadas nas gravações, uma técnica considerada ultrapassada na época, porque os patrocinadores não aprovaram a adoção de um sistema mais moderno.

Mesmo assim, a produção não foi prejudicada e os esforços de Desi Arnaz permitiram que I Love Lucy acompanhasse a evolução dos programas de TV ao longo dos anos 60. Consagrado no hall da fama dos programas de TV, I Love Lucy explorou pela primeira vez temas comuns hoje em dia, tais como companheirismo, machismo, feminismo e situações arriscadas que acabam dando errado.



Depois, outras séries seguiram o mesmo caminho, mas nunca conseguiram dosar o humor tão bem em situações tão extravagantes. As incansáveis mentes criativas por trás desse projeto incluíam o produtor Jess Oppenheimer e o time de Madelyn Pugh e Bob Carroll - pessoas que Lucille Ball sempre citava como responsáveis por seu sucesso. I Love Lucy foi um dos programas mais bem sucedidos da história, permitindo a Ball e Desi comprarem os estúdios RKO para prosseguir com a filmagem da série. Apesar dos altos índices de audiência, os dois resolveram terminar com o seriado em 1957.

Fórmula para muitas comédias românticas de hoje em dia, I Love Lucy fez e ainda faz sucesso entre os amantes de séries de TV. Apesar da série estrear nos Estados Unidos em 1951, ela só chegou ao Brasil nos anos 60. O seriado alcançava picos de audiência nos Estados Unidos, Brasil e em quase todos os países em que foi apresentado e até hoje Lucille Ball é lembrada como um marco na história da televisão.

Conheceu seu marido, Desi Arnaz, em um set de filmagem, em 1940, e continuou seguindo a carreira de atriz por vários anos. O casal passou a filmar especiais de uma hora com os mesmos personagens, intitulados The Luci-Desi Comedy Show. Estes, por sua vez, prosseguiram até 1960, quando Ball e Arnaz se divorciaram.




**I LOVE LUCY NO BRASIL**


Na década de 1950, a TV brasileira tinha grandes dificuldades financeiras para importar séries e filmes, além disso ainda não havia a dublagem para  a nossa tv, a qual tinha a programação baseada em programas ao vivo. Entretanto, Cassiano Gabus Mendes por volta de 1954, lança o programa "Alô Doçura" com Eva Wilma e John Herbert.
Em entrevista ao programa "40 Anos de TV", produzido pela TV Cultura de São Paulo, Cassiano Gabus Mendes declara que gostaria de trazer o sucesso de I Love Lucy para a TV Tupi, mas era algo utópico para a época. Assim, ele criou o seriado "Alô Doçura", evidentemente, adaptado para o Brasil, mas a sua ideia original veio de I Love Lucy.



Mas o sucesso de I Love Lucy no exterior foi tamanho que a TV Tupi de São Paulo conseguiu trazer a série em 1960. Mesmo já tendo sido encerrada em 1957, o sucesso continuava.

Assim, I Love Lucy estreou no Brasil no dia 19 de outubro de 1960, em horário nobre, 21h30. Este fato acarretou uma certa preocupação aos artistas brasileiros, pois viam uma forte concorrência dos chamados "enlatados", pois a Tupi também trouxe outras séries.


Na realidade, I Love Lucy ficou em poder da Tv Tupi durante 11 anos. A emissora depois que viu o enorme sucesso, trocou de dias e horários várias vezes, já para as reprises, algumas vezes ficava fora da grade de programação, mas quando havia algum problema de audiência, a Tv Tupi lançava mão novamente de I Love Lucy, muito semelhante ao que o SBT fez com o seriado Chaves, que já percorreu diversos horários.


Sua derradeira exibição foi em 1971, no horário das 17h30, de segunda à sexta, onde a Tupi exibiu as 5 temporadas na íntegra, num total de 153 episódios, pois já se preparavam para programações coloridas a partir de 1972.




Durante toda a década de 1970 I Love Lucy esteve fora do ar, retornando, por um breve período pela TV Gazeta de São Paulo em 1980.

Em 1991, I Love Lucy retorna no horário nobre de sábado, às 21h, pela TV Cultura de São Paulo, porém foram exibidos apenas 36 episódios, esparsos, devido à perda da dublagem original, conforme a divulgação da emissora.


No ano seguinte, o canal a cabo Multishow exibiu as 3 primeiras temporadas totalmente legendadas.

I Love Lucy retornaria só por volta de 2009/2010, pelo canal a cabo TCM, mas foram exibidos mais episódios que restaram a dublagem, esparsos, de diversas temporadas.
O fato é que, é dificílimo saber exatamente com qual distribuidora ficou a série dublada e qual o motivo de mais de 50 episódios terem perdido o áudio.


**A DUBLAGEM DE I LOVE LUCY**


A série teve 6 temporadas num total de 180 episódios, mas a 6ª e última nunca foi exibida no Brasil. No início dos anos 60, a Tv Tupi trouxe somente 5, pois observou que audiência da última havia tido uma pequena queda nos Estados Unidos e não quis arriscar, pois era algo caríssimo para a época e ainda havia a despesa com a dublagem.

A dublagem foi realizada no Rio de Janeiro, pelo estúdio CineCastro, uma vez que a distribuidora declarou que "as vozes em São Paulo (na época Gravasom e Ibrasom), não eram tão parecidas para interpretar os atores".

O estúdio CineCastro, apesar de recente, era de uma grande qualidade e Carla Civelli escalou um elenco perfeito para os personagens fixos.




**ELENCO / PERSONAGENS FIXOS / DUBLADORES** 

*Lucille Ball (Lucy): Ângela Bonatti.
*Desi Arnaz (Rick Ricardo): Milton Rangel.
*Vivian Vance (Ethel Mertz): Neuza Tavares.
*William Frawley (Fred Mertz): Gualter de França (1ª voz) e Ribeiro Santos (2ª voz).


**Ângela Bonatti**

Um grande sucesso no Brasil, o qual sem dúvida alguma, a dublagem exemplar do estúdio CineCastro contribuiu enormente.

Todos os dubladores estavam perfeitos e merecem os nossos aplausos. Ângela Bonatti atualmente é diretora de dublagem e dubla eventualmente.

 Quanto aos demais já partiram para o "estúdio do céu" e deixaram um trabalho primoroso.


**Milton Rangel**

Infelizmente, a Desilu operava com diversas distribuidoras pequenas e após a sua venda para a Paramount, no final da década de 1960, literalmente foram fechando, gradativamente, as suas portas.


Até hoje, não se sabe ao certo, como esses 36 episódios sobreviveram com a dublagem original.

Em 1991, a TV Cultura de São Paulo nos respondeu que estavam com a distribuidora Viacom.
Atualmente, todos os direitos da série estão com a distribuidora Network !

**Neuza Tavares**

Mais uma relíquia da nossa dublagem, a qual  felizmente temos alguns episódios para saborear.

**Vamos rever 2 episódios de I Love Lucy com a dublagem original**


**VÍDEO 1**
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**VÍDEO 2**
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**Marco Antônio dos Santos**

20 de julho de 2014

A DUBLAGEM DO FILME "KING KONG" (1933)



Entre todos os filmes de monstros gigantes que o Cinema já produziu, King Kong é o principal deles. Lançado em 1933, o filme arrecadou 90 mil dólares no final de semana de estreia nos Estados Unidos, um novo recorde para a época, e transformou-se logo em um clássico.

 Hoje, Kong é um dos principais ícones do Cinema de todos os tempos, e já serviu de inspiração para centenas de outros diretores ao longo dos anos. Em 2005, Peter Jackson lançou um novo remake desse filme (após o remake lançado em 1976).

A história é simples: Carl Denham, um diretor de cinema com mania de grandeza, consegue um mapa de uma ilha misteriosa, chamada de “Skull Island” (Ilha da Caveira).

 Lá, dizem os rumores, reside um monstro enorme e abominável, então Denham decide filmar o “filme de sua vida” naquele lugar. Para isso, parte em expedição num navio com sua equipe de filmagem e a atriz que será a mocinha do filme, Ann Darrow (a bela atriz Fay Wray, cuja cena onde Kong arranca parte de suas roupas foi originalmente censurada, sendo integrada ao filme apenas em um relançamento posterior).




 Chegando lá eles encontram um mundo totalmente estranho, além da existência do macaco gigante: uma tribo indígena que realiza rituais de oferendas humanas a Kong e animais pré-históricos ainda vivos (as sequências com os dinossauros são tão interessantes quanto as sequências com Kong).

O problema é que Ann é sequestrada por Kong (ela seria a oferenda de um dos rituais), e agora a equipe deve penetrar no coração da ilha para tentar resgatá-la, tendo de encarar todos os perigos que ela oferece.
A cena mais famosa do filme – Kong no topo do Empire State Building – acontece apenas perto do seu final, como todas as cenas de Nova York, ou seja, a grande maioria do filme passa-se na floresta mesmo.




 King Kong é na realidade (e deve ser visto desse jeito) uma grande diversão, um dos mais clássicos, que está recheado de cenas inesquecíveis: a chegada à Skull Island, com seu imenso portal que separa a tribo indígena do resto da floresta – domínio de Kong; a primeira aparição do macaco (e o close do seu rosto, que hoje é engraçado, mas certamente foi feito para assustar a plateia); a luta entre Kong e o dinossauro (Jurassic Park homenageou – pra não dizer copiou – esta cena) e, claro, toda a sequência de Kong em Nova York, com Ann, sua amada (ou brinquedinho) em suas mãos.

Tecnicamente, King Kong é um filme intrigante. Se hoje o grande macaco é visto apenas como uma sequência de animação mal executada, na época ele gerou comentários exaltados. Os executivos do estúdio RKO, onde Kong foi filmado, ficaram embasbacados com o resultado, dizendo que nunca haviam visto nada assim antes (e realmente, não viram mesmo, nem ninguém mais). Hoje em dia, dizem que o sucesso comercial do filme foi o responsável por evitar que o estúdio falisse.

 Kong também exigiu acrobacias dos seus diretores: algumas sequências realizadas, como as dos aviões disparando sobre ele nos céus de Nova York, exigiram habilidade e criatividade do diretor Merian C. Cooper (que, como curiosidade, faz o close de um dos pilotos).





Esta sequência final, em particular, foi a mais difícil de ser filmada: nela o modelo em miniatura de 18 polegadas de altura foi substituído por um ator em roupa de macaco, até a cena da queda de Kong do alto do prédio, onde novamente foi utilizada a miniatura. Outra curiosidade: o próprio Empire State Building estava em fase de construção durante as filmagens.



**CURIOSIDADES**


 Os modelos de King Kong usados no filme tinham apenas 40 centímetros de altura mas, na história, o personagem tinha 15 metros.
 O rugido de King Kong no filme era na verdade uma combinação feita com os rugidos de leões e tigres.

 Na época das filmagens de King Kong tanto o Empire State Building quanto o prédio da Chrysler estavam sendo construídos em Nova York. Inicialmente o roteiro previa que Kong escalaria o prédio da Chrysler, que seria o prédio mais alto do mundo. Porém, uma mudança nos planos de construção do Empire State Building fez com que ele se tornasse o prédio mais alto, fazendo também com que fosse o escolhido pelos produtores para a escalada de Kong no filme.




 A cena em que King Kong escala o Empire State Building foi rodada com um homem vestido de macaco escalando uma torre em miniatura, idêntica à original.



**A DUBLAGEM DO FILME**


Conforme nos relatou o dublador Francisco José, King Kong foi dublado em meados de 1970 e a direção de dublagem foi realizada por Dráusio de Oliveira. 
Francisco José ficou surpreso com a sua escalação para este filme tão importante, uma vez que ainda era bem recente na dublagem, além disso ficou com o vilão para dublar, o que aumentava ainda mais a sua responsabilidade.

Para a heroína, havia a necessidade de uma dubladora com voz meiga, mas que também expressasse horror, pânico ao ver o gigantesco gorila e até hoje os fãs elogiam a excelente dublagem de Maralise Tartarine para a atriz Fay Wray.


O filme possui poucos personagens principais e o roteiro gira em torno da heroína, o vilão e o heroi dublado por Garcia Neto, com a sua voz firme bem adequada ao grande "salvador" de Ann Darrow das garras de King Kong.



Uma dublagem perfeita, a qual felizmente está preservada, embora o estúdio RKO e suas distribuidoras tenham desaparecido, houve a preocupação de mantê-la num filme que ainda empolga, mesmo com seus efeitos especiais de 80 anos atrás conseguiu superar os dois remakes realizados, em 1976, e 2005, com o avanço da tecnologia.


**ATORES PRINCIPAIS / PERSONAGENS / DUBLADORES**


*Fay Wray (Ann Darrow): Maralise Tartarine.
*Robert Amstrong (Carl Denham): Francisco José.
*Bruce Cabot (John "Jack" Driscoll): Garcia Neto.
*Frank Reicher (Capitão Englehorn): Turíbio Ruiz.
*Sam Hardy (Charles Weston): José Soares.
*Narração da abertura: Carlos Alberto Vaccari.

*Há ainda a presença dos dubladores Nelson Baptista e João Ângelo.





Esta dublagem da AIC, embora o filme se concentre mais na aventura, demonstra uma grande qualidade nas interpretações de Maralise Tartarine, Garcia Neto e, sobretudo, Francisco José, que desempenhou um vilão com características bem diferentes.
Parabéns a todos !


*Encontramos uma cópia de King Kong colorizada, com a dublagem da AIC, evidentemente, o filme em preto e branco traz um ar mais "sombrio", vamos rever alguns trechos**

OBS> O áudio está um pouco baixo no original.


*VÌDEO 1:  "A CHEGADA À ILHA"
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*VÍDEO 2 : KING KONG RAPTA ANN DARROW
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*VÍDEO 3 : KING KONG EM NOVA YORK
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**Marco Antônio dos Santos**